Integridade

Não sei o que é que o presidente Lula está esperando para apear Jaques Wagner da liderança do governo no Senado da República. 

Por muito menos, Itamar Franco mandou o amigão pão de queijo Henrique Hargreaves para casa, até que comprovasse sua inocência. Hargreaves, respeitado economista e homem público, então chefe da Casa Civil, comprovou na Justiça que não tinha nada a ver com a roubalheira dos anões do orçamento e Itamar o chamou de volta à Casa Civil. 

Retirar alguém do cargo não é negar o princípio da inocência até prova em contrário, mas preservar a integridade política e institucional da função. O contrário disto é favorecer os que atuam para avacalhar a política e as instituições, a fim de instalar no país o caos e o domínio dos larápios. 

Na demora do presidente em fazer valer sua autoridade, urge que o senador tome a iniciativa de renunciar à função e, comprovado seu envolvimento, ao mandato senatorial. Ou, inversamente, retomar a função se comprovar sua lisura ante os indícios levantados pela Polícia Federal. 

A integridade da democracia é um bem maior do que a amizade entre um presidente e seu velho companheiro de lutas sindicais. 

Princípios são para ser respeitados à risca e não tergiversados aos sabores e odores da política. Estará errado o presidente se não agir de imediato e sem contemplações. 

Esperar que Wagner providencie sua própria saída será uma vergonhosa omissão na defesa da retidão e transparência que devem reinar no Executivo, assim como no Legislativo e no Judiciário — não importam os maus exemplos que desbordam dos demais poderes. 

Nelson Merlin é jornalista aposentado e, pelo jeito, escandalizado para sempre com as tropelias da política brasileira. 

18/6/2026

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