Carta Zambelli!

Em meio aos horrores da guerra, e pior, aos horrores saídos das bocas de internautas e de alguns chefes de Estado, externando seus lados mais podres em relação aos conflitos, ainda se consegue garimpar alguma notícia que renova nossas esperanças de um mundo melhor. (Atenção! Essa afirmativa contém ironia.)

 

Não tem como não se emocionar com o amor incondicional de uma mãe que luta para que sua filha tenha um pouco de paz na vida.

Vimos isso no começo da semana quando a deputada bolsonarista Carla Zambelli tenta explicar uma conversa vazada entre ela e o hacker Delgatti, em que pede a ele o endereço pessoal do ministro do Supremo, Alexandre de Moraes para satisfazer um desejo de sua mãe. “Minha mãe queria mandar uma carta pra ele.”

Não é bonito isso? Uma mãe querer “sensibilizar” o juiz, através de uma carta escrita de próprio punho? Uma mãe que pede para que ele tenha complacência com a filha que tá atolada em processos, e que reveja algumas medidas tomadas, como  a que a impede de usar as redes sociais?  

 

Voltando a fita, vamos relembrar como começou essa história da deputada com o hacker.

Na sua versão, ela contratou  Walter Delgatti para cuidar de suas redes sociais e de seu site. Vaza daqui, investiga dali, acaba que o hacker vai preso em agosto deste ano e confessa que recebeu R$ 40 mil dos assessores de Carla Zambelli (R$ 14 mil em depósitos e R$ 26 mil em dinheiro vivo), para invadir as urnas eletrônicas e participar de ataques ao sistema Judiciário e a Alexandre de Moraes.

 

Na última segunda-feira (23/10), Andréia Sadi revela em seu blog uma conversa entre Zambelli e Delgatti onde ela claramente pede o endereço de Moraes em Brasília.

Perguntada sobre o motivo de querer o endereço dele, ela me sai com essa: “Minha mãe tinha escrito uma carta para Alexandre de Moraes e queria entregar essa carta. Eu disse para não mandar para o STF para evitar pegar mal, e ela disse que o certo era enviar para a casa dele”.

 

Ela não contou exatamente o conteúdo da carta, mas nossa imaginação poderá nos levar até ele. Algo como:

 

Ilustríssimo, Digníssimo, Excelentíssimo senhor Ministro Alexandre de Moraes,

 

Venho por meio desta implorar para que o senhor reverta sua decisão de deixar minha querida filha sem as redes sociais. A pobrezinha está à beira de uma depressão profunda por não poder publicar mais suas costumeiras fake news. Sobre os outros processos, inclusive aquele em que ela perseguiu um opositor com a arma na mão, em uma rua movimentada, em seu favor posso dizer que ela sempre foi muito apegada a uma pistola. Um hábito difícil de largar. 

Sei que o senhor pode não me ver com bons olhos, mas, como mãe, me sinto no dever de proteger minha filha.

Aquele episódio de 13 de outubro de 2022, quando o chamei de ministro de merda, cabeça de pica, banana nas mãos da esquerda e vendido idiota, peço que esqueça. Foi num momento de raiva por causa de uma afirmação sua sobre o assédio de eleitores por empresários. É que pra mim esquerdista não trabalha mesmo. Não aceito esse tipo de gente. Sobre já ter te chamado de Kojac foi só uma brincadeirinha, talquei? 

Sendo só o que se me apresenta para o momento e no aguardo de um parecer favorável à minha doce filha, me despeço mui respeitosamente. Assinado: Rita Luiza Zambelli Salgado.

 

E já que estamos falando da deputada vista pelo PL como uma das causas da derrota de Bolsonaro, vale a pena abrir um parêntese aqui para mencionar a ida do Eduardo Dudu Bananinha Bolsonaro a Buenos Aires às vésperas da eleição, para apoiar o candidato da ultra extrema direita Javier Milei, que até então era considerado o favorito, com grandes chances de emplacar já no primeiro turno.

Como ele ficou em segundo lugar, Dudu passou a ser chamado de a Carla Zambelli do Milei. 

Tô rindo até agora!

Esta crônica foi originalmente publicada em O Boletim, em 27/10/2023. 

  

 

Um comentário para “Carta Zambelli!”

  1. O texto, naturalmente, é da melhor qualidade. Mas acredito que Carla Zambelli não o merece. Provavelmente não o entendeu, se leu. Amiga do Bananinha, ambos são comprovadamente inimigos declarados da língua portuguesa.

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