Invenções, crenças e magias!

Era uma vez um hotel no Paraguay…. o “Resort Yatch & Golf Club Paraguayo”. A família da minha esposa costumava passar as férias lá.

Por conta de comprar um aparelho de Laserdisc, resolvi tentar a sorte ali.

Na cidade se trabalha pouco, as lojas abrem por volta das 10, fecham às 12, eles dormem até as 15 e depois fecham às 18h.

Gostei daquele ritmo, tipo um mambo cubano, devia ser implantado em todo o globo. Se não fosse um pequeno probleminha que descobri mais tarde: ninguém passava uma escovinha nos dentes após essa pestana.

Escarafunchando pela cidade, entrei em uma loja de eletrônicos e perguntei ao vendedor sobre o Laserdisc. Ele me fez segui-lo, e no trajeto notei que usava uma peruca estranha, ou era um gambá morto. Fique até rondando para ver se achava os olhinhos.

No final ele tinha o tal aparelho; testei, paguei e pedi para embrulhar bem a caixa, pois nós, brasileiros, aprendemos desde a mais tenra idade a estourarmos a cota e fazemos qualquer malabarismo para não pagar taxa de importação.

O embrulho era descaradamente para esconder o conteúdo da caixa. Sonho meu!

Na loja confesso que eu não estava entendendo muita coisa do que o vendedor chinês falava. Estávamos perdendo os sentidos entre a peruca e o bafo de nabo & shoyu curtido por três horas de siesta.

Creio que o processo é semelhante ao das pimentas do molho tabasco, que são maceradas, colocadas em barris de carvalho e enterrados por três anos.

Lembro-me vagamente de um vulto com hálito ácido me dizendo: “você não vile esse apareio, mantém nessa posição, se vilá não ilá funcionar mais”. Eu acreditei!

Tenho esse problema, me falam e eu acredito. Quase comprei um astrolábio para transportá-lo no prumo.

Ninguém entendia o que eu explicava; pois é, não adiantou nada embrulhar o aparelho, tive que contar para o aeroporto inteiro porque diabos eu andava abraçado com aquela caixa e vir no avião com aquele trambolho no colo.

Acharam que eu era louco ou tinha síndrome de Roberto Carlos. Justo eu que tenho apenas duas superstições: não cuspo para cima pq cai na testa e não urino contra o vento pq molha os pés.

Voltando ao aparelho, ele funcionou. Mas depois que umas 200 pessoas me falaram que isso de virar o aparelho era folclore, eu nunca mais acreditei em crenças, nem em gnomos. Creio apenas em minha memória olfativa, daquela tarde com nabo e shoyu curtido em três horas de siesta!

Não tenho certeza se foi Ivon Curi o inventor da peruca, mas de cantar descalço creio que foi o Juca Chaves.

Aliás, de onde vem isso? Qual o sentido? Seria um bom tema para o Globo Repórter.

Essa onda de cantores descalços quebra em vários continentes.

Alberto Roberto dizia: “durmo de touca e vou à praia de meias”. Mas como será que ele cantava?

No início dos anos 2000 acompanhei o surgimento da cantora Joss Stone. Uma inglesinha com um soul impecável. Tinha um vozeirão e cantava aquelas músicas que a gente ouve batendo os pés.

Comprei o CD e depois para conferir o DVD, pois como estudei física precisava comparar a diferença entre forma e formato.

Passávamos horas procurando um defeito, meu primo Du dizia: “desliga esse vídeo, eu já estou apaixonado”. Depois de dias assistindo, finalmente notei um defeito. Ela tinha uma pequena restauração em um molar que a cor não estava 100%.

Depois soube que sua mãe é professora de karatê. Meu castelo foi desmoronando: afinal, quem quer ter um joelho ou o pescoço quebrado pela sogra?

Joguei a toalha quando veio o veredicto final, algo que sempre me incomodou muito. Ela cantava descalça!

Pqp! Foi de brochar pensar naqueles pezinhos encardidos. Dio Mio! O que esses humanos pensam que estão fazendo?

Quem souber, por favor, me conte. Agora imagine umas e outras, que para não dizer outra coisa, eu definiria que Deus não gastou muito tempo em seu acabamento final, e ainda por cima cantando descalças por ai….

Mas não esmoreci. Afinal, depois da tempestade vem o sol.

E para minha sorte apareceu um tal de Loboutin para fazer elas gostarem de sapatos, e é por ele que eu rezo: meu salvador!

Apenas completando meu sofrimento, em 2017 ouvi uma nova banda – Greta Van Fleet. Até aí tudo bem, soava como uma paródia lavada de Led Zeppelin. Duro foi quando vi a banda na TV. O vocalista era uma espécie de Markinhos Moura, só que com vestimentas femininas e descalço!!

Pqp again! Mais um descalço? Etta James cantar descalça ok, mas esse povo tb? Aonde vamos parar?

Enfim… Hoje estou medicado e mais zen, respiro e mentalizo:

Todas as células do meu corpo estão em bem-aventurança, em perfeita sintonia com o universo, nada nem ninguém me tira do meu eixo e finalizo com o mantra Om….

E digo a mim mesmo, tudo bem, Fábio, deixe eles encardirem os pés à vontade. Não se pegue com isso, não há razão para você querer entender a humanidade.

Namastê.

Setembro de 2022

3 Comentários para “Invenções, crenças e magias!”

  1. Bom Demais!!! Obrigado por compartilhar sua visão de mundo conosco… Essas coisas que os Humanos fazem sem motivos são muito engraçadas mesmo… Mas só quem não está imerso nelas para perceber!!! Parabéns Fabio!!! Obrigado por nos fazer rir um pouco de nós mesmos

  2. Quem te conhece, Fábio, já ficou imaginando você rondando o cara procurando os olhinhos do gambá! Rsrsrs… Parabéns mais uma vez e obrigada por compartilhar seus textos! Adoro!

  3. Querido amici Fábio, mais um texto para guardar e reler quando precisarmos trazer a alegria de volta. Me identifico muito com o seu ponto de vista, vc nos representa. Continue nos brindando com estas pérolas em forma de texto. O meu voto para a ABL é seu! Muito obrigado e parabéns!!!

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