Escândalos, Paixões e Correrias!

Nem queria mais falar do tarado da Caixa porque já falei um monte semana passada, mas o caso ainda repercute e, além dos escândalos de assédio, agora estão também pipocando os gastos vultosos com viagens — sempre com muitas mulheres —, jatinhos fretados, reforma da casa em Brasília que custou a bagatela de 50 paus, tudinho bancado com o dinheiro da Caixa, ou seja, com o dinheiro do povo.

Um dia destes estava ouvindo “Doces Olheiras” do grande João Bosco e, gente, descobri que ele fez essa música pra ele. Só pode. Pra quem não conhece a letra, publico aqui um trecho pra mostrar como se encaixa perfeitamente ao sujeito.

“Falante, elegante, mau-caráter

Cafajeste irresistível

Grande galanteador

Também um sóbrio chefe de família

Liberal

Conservador”

É ou não é o próprio?

A música fala dos escândalos, paixões e correrias de um garanhão da cidade de Ilhéus, na Bahia, que se vangloria de seu poder de sedução entre as mulheres propalando que todas caem no seu laço (no caso do Guimarães, nem todas), desde a filha de Maria à bailarina dos véus.

E até na parte que diz “sóbrio chefe de família”, parece inspirada nele.

Manuella Pinheiro Guimarães, a esposa que o defende com unhas e dentes e agora ele faz questão que apareça ao lado dele, afirma que essa fofocaiada sobre seu distinto marido não passa de intriga da oposição. (Estranhamente algumas esposas se sujeitam a isso. Ou por ingenuidade ou por interesses maiores que fogem ao entendimento das mulheres que não foram criadas, como ela foi, por Léo Pinheiro, ex-executivo da empreiteira OAS, condenado na Lava Jato por pagar propinas em favorecimento da empresa.)

 

Fazendo um paralelo aqui, fico comparando as atitudes da nossa autoridade máxima com as tomadas pelo mandachuva inglês em relação a escândalos.

O nosso não se manifestou para repudiar o que seu funcionário fez. Simplesmente o substituiu.

Colocou na presidência do banco estatal Daniella Marques, ex braço direito do Guedes. E para deixar claro que não quer que a coisa fuja ao seu controle, afirmou que “não vai começar uma nova era na Caixa”. Por outro lado, Daniella disse em entrevista que ia botar ordem no galinheiro. Vamos aguardar pra ver quem vence essa queda de braço.

 

Sobre o inglês, pouco temos em sua defesa, a não ser pelo seu ato final, a renúncia, e, anteriormente, pelo seu apoio à Ucrânia.

Durante todo esse tempo em que esteve na boca do povo, nem de longe tomou uma atitude decente em relação às várias acusações de assédios cometidos por seus auxiliares e nem mesmo sobre suas farras durante a pandemia. Mentiu, se esquivou de dar satisfações, enrolou, tentou ficar em pé, mas, apesar de tudo, acabou caindo, graças à pressão do Parlamento Britânico, que o convenceu de que sua vida política estava mais bagunçada que seus cabelos.

 

Aqui, o nosso chefe de Estado, apesar de todas as acusações que carrega nas costas, continuou comprando os votos que aprovou a PEC Kamikaze, numa tentativa desesperada de se reeleger. E, se conseguir, será graças à boa vontade do nosso Congresso. (Aliás, nunca se viu a deputaiada acordar tão cedo pra abrir uma sessão. Nesta quinta garraram às 6h30 da matina.)

Comparando os fatos, pode-se concluir que a maioria dos parlamentares ingleses leva a sério esse negócio de que estão lá como legítimos representantes do povo.

Já os nossos…

Esta crônica foi originalmente publicada em O Boletim, em 8/7/2022.

 

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