Tenha fé no nosso povo

A Seleção não apenas ganhou bem como, mais que isso, jogou bem. Neymar fez um golaço, gol de craque; o garoto Raphinha é um espanto, e aquele Antony promete muito.

Não entendo nada de futebol, sou um torcedor bastante fuleiro, vagabundo, meu amor pelo Corinthians já foi muito maior do que é hoje, e não gosto de patriotismo – mas, diabo, ver o jogo do Brasil contra o Uruguai hoje mexeu comigo. Cheguei mesmo a ficar emocionado.

“Estamos vencendo esse covid” – estava escrito à mão num pedaço de papel que a moça manauara carregava, e que um dos cameramen da Globo viu e exibiu em close-up para o Brasil inteiro.

Não dá para esquecer que Manaus foi um epicentro da tragédia da pandemia no Brasil, por obra desse desastroso desgoverno de loucos que parecem odiar o povo e a vida, e adorar a morte como se ela fosse uma divindade.

E aí o cartaz da garota manauara, e mais o belo jogo contra o Uruguai, e certamente também a dose de vodca, misturaram-se e me deixaram – tenho que admitir – emocionado.

Me ocorreu o verso de Fernando Brant, o poeta mais absolutamente believer deste que é o nosso melhor produto, melhor até que o futebol, a música popular – “tenha fé no nosso povo que ele resiste”.

Quando o Miltão cantou com aquela sua voz do mais puro bronze esse verso de Fernando Brant, era 1978, a ditadura ainda estava firme e forte – mas Fernando e seu amigo Bituca acreditavam: “Vamos, caminhando de mãos dadas com a alma nova / Viver semeando a liberdade em cada coração / Tenha fé no nosso povo que ele acorda / Tenha fé no nosso povo que ele assusta”.

Misturou tudo, ficou tudo junto e misturado na minha cabeça, que assim que é bom, e nesta noite em que o Brasil ganhou do Uruguai por 4 a 1, mas, mais do que isso, jogou uma beleza de futebol, tive um momento de alegria e certeza de que, como dizia o Gil, ainda na ditadura, em 1979: “se Deus quiser, tudo tudo tudo vai dar pé”.

A sabedoria manda não misturar futebol com política. Essa é uma mistura que não é boa, que não dá certo, não combina – e, no entanto, cometi hoje esse erro. O cartaz escrito à mão da menina de Manaus naquele estádio elefante branco construído para Copa do Mundo durante a era Lula presidente leva ao fato de que o País ultrapassou a marca dos 100 milhões de habitantes, ou 47,11% da população, com imunização completa contra a covid-19. São 149 milhões de pessoas, 70,39% da população, com pelo menos a primeira dose da vacina – mais que os Estados Unidos da fucking America, o país mais rico do mundo.

Apesar do sociopata que nos desgoverna, apesar de todo o hercúleo esforço do desgoverno contra a vacina, o Brasil proporcionalmente está melhor do que os U.S. of A! Tenha fé no nosso povo que ele resiste – e a manauara exibe para o país o cartaz escrito à mão: “Estamos vencendo esse Covid”.

Não bastou ganhar de 4 a 1. (Aliás, que bela batida de falta  aquela do Luís Suárez, hein? Cacete! O cara morde orelha dos outros, mas sabe jogar o bola…)

Não bastou ganhar do Uruguai, país pequeniníssimo mas de futebol de tradição desde sempre, o primeiro bicampeão do mundo.

Ganhou jogando bem, com brilho.

E mostrou ao mundo que “estamos vencendo esse covid”.

Apesar de tudo. Apesar do sociopata, do Pazuello, do Queiroga, apesar deles todos.

Tenha fé no nosso povo que ele resiste.

Fernando, por favor, faça daí um tchim-tchim comigo.

14 e 15/10/2021

Um comentário para “Tenha fé no nosso povo”

  1. Meu amigo Valdir Sanches não conseguiu postar o comentário, e me pediu para eu postar. Lá vai, então:

    Com esse texto de quem é bom de pena e de alma, Sérgio Vaz exalta com brilho o futebol pátrio e enterra de uma vez os barbaros que jogam sujo contra o País. Jogada de mestre a sua, Servaz!

    Valdir Sanches

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