Jair Bolsonaro não descansará enquanto houver um único brasileiro vivo que não seja da sua turma.
O número absurdo de mais de 460 mil mortos não diz nada para ele. Não o toca, não o emociona.
É pouco. Ele faz questão de que morram muito mais. Alguns milhões. Muitos milhões.
Vi três vezes a cara de Jair Bolsonaro enquanto ele afirmava que a Copa América será realizada no Brasil, está decidido, e pronto. Vi no Edição das 18 da GloboNews, no Jornal Nacional e depois de novo no Jornal das 10 da GloboNews.
É a cara de quem não está nada satisfeito com o fato de que tenham morrido apenas uns 460 mil brasileiros.
É a cara de quem quer muito mais.
Assim que soube, na segunda-feira, 31/5, que o governo falava em trazer a Copa América para o Brasil, depois que a Colômbia demonstrou não ter condições e a Argentina decidiu que seria uma loucura e desistiu, fiz um post no Facebook:
“Só faltava agora sediar a Copa América. Enlouqueceram de vez.”
Uma moça que não conheço, Silvia Luiza Lakatos Varuzza, fez um comentário tão curto quanto poderoso: “Loucura ou método?”
É, a rigor, loucura, sim. Mas é também, ou principalmente, método.
Desde que a pandemia surgiu, desde que a pandemia chegou ao Brasil, em fevereiro/março do ano passado, o desgoverno Jair Bolsonaro vem, insanamente, mas também metodicamente, fazendo tudo, tudo, tudo para que a pandemia mate mais gente.
Ainda em março do ano passado, o então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, enviou uma carta a Bolsonaro alertando para o risco de haver 180 mil mortes no Brasil até dezembro, caso não fossem tomadas precauções – distanciamento social, uso de máscara, etc.
Mandetta caiu, depois seu sucessor Nelson Teich caiu, e, de março de 2020 até agora, Bolsonaro e seu desgoverno fizeram tudo, tudo, tudo para que a pandemia matasse cada vez mais gente.
Loucamente. Mas metodicamente.
A Copa América é apenas mais uma arma.
É uma arma poderosa, gigantesca. Usar essa arma é mais ou menos o equivalente a roubar não um, mas todos os elefantes de um circo, e achar que ninguém vai reparar.
Mas ele já usou tantas outras armas poderosas, gigantescas… A obsessão pela cloroquina. A rejeição, até onde era possível, da possibilidade de compra de vacinas. O apelo diário à aglomeração, ao abandono aos cuidados mais básicos. Até mesmo a incrível luta contra o uso de máscaras!
Ele roubou todos os elefantes de todos os circos do mundo, e há uns 25% de brasileiros que ainda o consideram o mito!
Preste atenção o eventual leitor ao olhar de louco varrido – porém extremamente metódico – que ele exibe ao anunciar, festivamente, que o Brasil sediará, sim, a Copa América, está resolvido e pronto!
– “Quando ouço falar de cultura vou logo sacando meu revólver.”
– “Abaixo a inteligência, viva a morte!”
– “Você só vai mudar, infelizmente, quando nós partirmos para uma guerra civil aqui dentro. E fazendo um trabalho que o regime militar não fez. Matando 30 mil, e começando por FHC”.
São parecidas, têm o mesmo viés, o mesmo cheiro podre a frase atribuída ao nazista Gôring, a frase de um fascista espanhol e a declaração do nazifascista Jair Bolsonaro, à época, 1999, deputado por um dos dez partidos pelos quais passou.
Mas pior que as frases são as ações.
Jair Bolsonaro vem agindo sem descanso para ajudar a pandemia a matar o maior número possível de brasileiros.
É preciso parar o assassino. O quanto antes.
1º e 2/6/2021
A foto é de Evaristo Sá/AFP.
Este post pertence à série de textos e compilações “Fora, Bolsonaro”.
A série não tem periodicidade fixa.
Em dois anos e cinco meses de destoferno, BOlsonaro levou o país ao fundo do fundo do horror. (50)
3 Comentários para “É preciso parar o assassino”