Doces Olheiras!

Os acontecimentos da semana me fizeram lembrar da música “Doces Olheiras” composta por João Bosco e Aldir Blanc, especialmente o trecho que diz: “escândalos, paixões e correrias, têm sido assim os meus dias…” É só substituir “meus dias” por “dias deles” (dos ilustres representantes da República da Banânia), e tudo se encaixa.

Vamos por partes.

ESCÂNDALOS!

Vixe! Nem sei por onde começar de tantos que vimos nos últimos dias.

Um deles foi aquele babado dos “Gersons” do setor de transportes de Belo Horizonte que importaram vacina da Pfizer (a Pfizer negou que vendeu o lote pra eles) por baixo do pano e fizeram a festa com elas. Vacinaram amigos, familiares e convidados especiais como o ex-senador Clésio Andrade que tentou se justificar: “Vou fazer 69 (anos?) na semana que vem. Eu nem precisava mas tomei. Fui convidado”. (Esse deve ser do tipo que toma até injeção na testa se for de graça.)

Outro ficou por conta do assessor de Assuntos Internacionais de Jair Bolsonaro que apareceu em vídeo atrás do presidente do Senado Rodrigo Pacheco fazendo um gesto com os dedos que tanto pode ser interpretado como um VTNC ou, na pior das hipóteses, como um gesto que identifica os supremacistas brancos. Esse é um escandalão e tanto e merece atenção especial. Nazista aqui não, pirulão!

Mas o maior mesmo é o escandaloso número de mortos pela Covid-19. Foi preciso chegar aos tristíssimos 300 mil óbitos nesta semana para que o presidente – pressionado, claro – levantasse o bundão da cadeira e convocasse uma reunião (os mais incrédulos dizem que foi só para inglês ver) com chefes de poderes, ministros e governadores (só os da sua laia, porém), e anunciasse a criação de um comitê de combate à doença, junto ao Congresso. (Nem sei por que essa pressa. Afinal, faz só um ano que estamos passando por isso e nem chegamos ainda aos 500 mil mortos.)

CORRERIAS,

É tão escandalosa a situação que, após a reunião, o presidente da Câmara Arthur Lira se manifestou e mandou o Capitão (ou Capetão?) recuar a tropa, se quiser fugir do “remédio amargo” que será obrigado a ministrar, caso não marche na linha daqui pra frente.

O remédio a que ele se referiu é também conhecido pelo nome genérico de impeachment, segundo os decifradores de recados políticos. Mas logo depois Lira soprou o dodói e disse que esta não é a intenção do Congresso. (Ainda precisam de um tempo para cavar mais alguns carguinhos no governo, dizem as más línguas.)

Outro que está sendo posicionado na linha de largada da pista de corrida é o Ministro das Relações (que relações?) Exteriores, Ernesto Araújo. Sua inércia, aliada à sua incompetência e à sua cara de bunda não estão agradando à patota do Congresso. O recado mandado foi claro: Isso não se faz, Arnesto.! Nóis si importa!

PAIXÕES!

Essa parte eu, o João Bosco e Aldir vamos ficar devendo.

Desta semana pesada sobraram mesmo só as olheiras, que, ao contrário do título da música, não são nada doces!

Esta crônica foi originalmente publicada em O Boletim, em 26/3/2021.

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