Adiós compañeros

Se tem um dia para esquecer foi terça-feira, 9/11/2021. O STJ caiu na armadilha dos defensores do indefensável 01 e o processo por peculato no seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro voltou à estaca zero. Há sério risco de tudo virar uma grande pizza fria por decurso de prazo. É só embromar um pouco mais.

Na noite do mesmo dia, a Câmara dos Deputados votou a favor do calote dos precatórios, que institui a figura de um Robin Hood às avessas, que tira dos pobres para dar aos ricos – no caso, tira de quem a União esbulhou durante anos para dar aos miseráveis em ano eleitoral que, essa é a ideia, irão reeleger cegamente o atual presidente da República em agradecimento ao mimo com chapéu alheio. A ver.

Por fim, o PT baixou (ou subiu?) uma nota parabenizando o Daniel Ortega por sua reeleição (?) ao quinto mandato na Nicarágua, com todos os candidatos oposicionistas na cadeia. O PT achou isso um golpe de mestre.

Minhas conclusões a respeito dos três fatos são que o primeiro vai virar mesmo uma pizza fria e seca, indigesta até mesmo para seu próprio beneficiário. Vai embolar no estômago pela eternidade. O segundo – podem me chamar de ingênuo se quiserem – é que não vai passar no Senado tal como está. Vão mexer em alguma coisa no último minuto da prorrogação e o troço vai voltar para a Câmara sem chance de votação ainda este ano. Vai daí vão ter que ressuscitar o Bolsa Família para a emenda não ficar pior que o soneto.

A terceira conclusão é que o PT não tem jeito mesmo. É uma seita de fanáticos religiosos igual à dos bolsomínios com sinal trocado: em vez do sinal da cruz gamada é um sinal com o dedo do meio, que os primeiros também gostam muito de usar (vide o ministro da Saúde em Nova York na semana da Assembleia Geral da ONU). Incrível o chefe Lula ficar de boca fechada, ele que já foi preso na ditadura militar durante uma curta mas tensa temporada e há pouco tempo, em Curitiba, durante longos 580 dias.

E minha conclusão geral após os três fatos, sobre os destinos da nação, apoiado na última pesquisa eleitoral das agências de investimentos Quaest e Genial, é que vamos ter Lula no primeiro turno ganhando de capote sobre todos os candidatos. Portanto, pessoal, preparem-se para engolir outra vez os cumpanheros Maduro, Ortega e o sucessor de Fidel e Raúl, o Diaz-Canel até dizer chega, por pelo menos oito longos anos a partir da posse em janeiro de 2023.

Não sei o que vai ser de vocês, mas quanto a mim eu já resolvi. Estou testando vários modelos de tampão de orelha. Gostei muito de um modelo que cobre quase a cabeça inteira, é daquele tipo de gravação em estúdio, só que muito maior. Parecem duas panelas a prova de som uma de cada lado da cabeça. Fiquei parecendo um astronauta adoidado. Outro modelo de que gostei muito é um de natação que é muito discreto e dá pra colocar inteiro dentro do ouvido. Ao contrário do outro, ninguém vê. Só mesmo se quiser meter o nariz na minha orelha, coisa que não vejo motivo para acontecer.

Dependendo da ocasião, vou usar um ou outro. Se eu for a uma festa, por exemplo, claro que vou usar o primeiro. Será um sucesso. Já o segundo vou usar quando estiver vendo a televisão ou ouvindo o rádio e começar o noticiário.

Penso que assim estarei bem equipado para passar os próximos oito anos de PT. Será a primeira eleição do chefe em primeiro turno, e ninguém sóbrio vai aguentar a comemoração e a soberba que se estenderão pelos anos afora. Tenho certeza que vão descobrir o pré-sal do pré-sal, mais fundo ainda, num mundo que vai estar noutra e ninguém vai querer ouvir mais falar em petróleo. O mundo será elétrico. Mas aqui em Terra Brasilis a rotação gira para o outro lado, de tão louco que tudo é. Tapar os ouvidos é mera consequência, em legítima defesa dos próprios pensamentos.

Nelson Merlin é Jornalista aposentado, desocupado e previdente. 

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