A leitora

O que um número – 403 – pode significar na vida de uma pessoa apaixonada por livros? No caso de Dena Brandão, significa que ela leu, em seu e-book, essa quantidade de obras em 2019. Nem que tenha sido um pequeno trecho, descartado se não a agradou. O número foi mandado a ela pelo Kindle, da qual é cliente – assídua, como se vê.

Pela informação do dispositivo, em 2020 Dena se dedicou a outras 358 obras. Neste ano, até agora, foram 58. Quanto lhe custou essa fartura toda? “Nada”, informa. “Troco um livro lido por outro.” Faz isso com método. Escolhe entre romance e aventura, seus gêneros prediletos (não gosta de violência e ficção científica, por exemplo).

“Começo a ler. Se no primeiro e segundo capítulos não me pega, devolvo. Às vezes insisto um pouco com alguns chatos e acabam emplacando”. Mas tem limite. “É o terceiro capítulo”. Daí não passa. Embora… “Se for um autor consagrado, às vezes tento um pouco mais.”  No momento, está lendo, alternadamente, três livros. A Jogada Perfeita, de Harin Andreo; Nascida para Ele, de Giovana Cardoso, e Queda de Braço, de Cristina Faria.

O gosto pela leitura, diz Dena, vem desde os sete anos. Seu pai, Oswaldo Brandão, lia muito, e tinha uma estante com várias coleções.   “Assim que aprendi a ler, comecei a entender as letrinhas, passei a me interessar pelos livros.” O primeiro que leu plenamente foi o clássico Contos de Fadas, dos Irmãos Grimm.

Crescida, passava muito tempo sozinha em casa. E lia. Todo o José de Alencar, Machado de Assis, Júlio Verne e outros clássicos da estante do pai. Daí, com o passar do tempo, variou para autores como seus prediletos Cem Anos de Solidão, o clássico de Gabriel Garcia Marques, e Fernão Capelo Gaivota, de Richard Bach. Assim chegou a sua obra predileta, A Comédia Humana, do americano William Saroyan. Mas houve também muita Nora Roberts, Agatha Christie…

Depois de seu casamento, vieram os três filhos e as obrigações. Leva e vai buscar na escola, na aula de inglês, na natação. Mas sempre encontrou tempo para a leitura. No pré-e-book, valeu-se de livros mais em conta das bancas de jornal. O resultado eram caixas de papelão cheias de livros lidos.  A chegada do e-book resolveu amplamente a situação.

Hoje, está tudo mais fácil. Filhos criados, um neto e uma neta, bom tempo disponível para suas leituras.  Não assiste às novelas da tevê, prefere o que vem na pequena tela digital.

Abril de 2021

“La Liseuse”, naturalmente, é de Renoir. Não o Jean, mas o pai dele, o Pierre-Auguste. 

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