Tragédia brasileira

Nesta terça-feira, 19 de maio de 2020, anunciou-se que o número oficial de mortos nas últimas 24 horas pelo novo coronavírus no Brasil foi de 1.179.

O presidente Jair Bolsonaro defendeu mais uma vez o uso da cloroquina: “Pode ser que lá na frente digam que foi placebo. Mas pode ser que digam que curava. Na minha consciência, não vai ter isso. Toma quem quiser. Quem não quiser, não toma.”

E aí fez chacota:

”Quem for de direita toma cloroquina, quem for de esquerda toma Tubaína.”

O ex-presidente Lula não quis ficar atrás. Agradeceu à natureza por ter criado o novo coronavírus:

“Ainda bem que a natureza criou esse monstro chamado coronavírus para que as pessoas percebam que apenas o Estado é capaz de dar a solução, somente o Estado pode resolver isso.”

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Sou um homem da palavra. Desde os 20 anos, vivi, paguei minhas contas, criei minha filha, juntei algum para a aposentadoria por saber mexer com palavras.

Diante dessas frases de Bolsonaro e Lula, não tenho palavras.

Sequer sei dizer o que é mais absolutamente trágico nesta terça-feira: se a frase de um, se a frase de outro, se os 1.179 mortos.

19/5/2020

P.S.: Na quarta-feira, 20/5, encontrei a charge acima. Diz muito do que eu gostaria de saber dizer.

Um comentário para “Tragédia brasileira”

  1. Tudo é terrivelmente trágico. E as palavras só marcam a nossa tristeza.

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