Ah, Vai Tomar, Vai!

Devemos ser o único país do mundo em que o presidente da República diz publicamente que não vai tomar a vacina contra a Covid-19 e “ponto final”.
Será que não contaram pra ele que essa “invenção” da Ciência funciona e que, graças a ela, nos livramos de doenças graves como a poliomielite e tantas outras? Pois deixe de ser turrão, seu Jair! Vai tomar!

Estamos chegando aos 200 mil mortos e nosso ilustre presidente Jair Bolsonaro pouco fez até agora para tentar deter a pandemia (pra não dizer que não fez nada, nesta quinta-feira assinou MP que libera o dinheiro para a compra de vacinas). Tem preferido estimular a população a não tomar a dita cuja, a provocar aglomerações, a não usar máscaras e a dizer que estamos no “finzinho da pandemia”.
Finzinho o caráleo, cara! Tá morrendo gente em penca e vai morrer muito mais por causa dessa estupidez.
Falando nisso, sua marionete gordita, cantorzinho de karaokê nas horas vagas (deve cantar o dia todo), e que ocupa um cargo fictício de ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, nesta terça-feira, questionado sobre a compra das vacinas, desceu de tobogã na merda e expeliu: “Pra que essa ansiedade, essa angústia”?
O senhor quer ouvir a nossa resposta, que também é uma pergunta? Pois vai lá: Pra que um ministro da Saúde (!) solta uma frase imbecil e cruel como essa diante dos apavorantes números de mortos e de contaminados?
Que tristeza saber que não temos um verdadeiro ministro da Saúde no momento em que mais precisamos de um, e que tristeza saber que o presidente só se mexeu para comprar vacinas depois de pressionado, e que, inconformado com isso, fica tentando assustar as pessoas e melar a campanha de vacinação propondo que assinem um termo de responsabilidade só pra tirar o seu da reta, em caso de eventual efeito colateral.
Logo ele, que fica receitando cloroquina, invermectina e outros inas, estimulando, através de anúncios oficiais, que se procure um posto de saúde quando surgirem os primeiros sintomas, para entregar ao paciente um kit (no caso, o kitpariu) contendo remédios sem eficácia comprovada, e, pior, que podem causar sérios danos à saúde. Cadê o termo de responsabilidade pra isso, presida?
E, fora o negacionismo diante dessa enorme tragédia, ainda temos de ouvir que o filhote é inocente, que rachadinha é coisa de maricas (péra, essa fala é de outro contexto), “que só estão querendo atingir minha família com essas acusações”, conforme declarou ao Datena um dia desses.
E que os 89 mil depositados na conta da dona Michele, “são meus, porra”! E que não há nada demais no fato de Queiroz ter depositado dinheiro na conta dele. “Divide aí, Datena, 89 mil em dez anos são 750 reais por mês. Isso é propina?”
Diante desse imbróglio todo podemos concluir que, graças aos céus, estamos no finzinho da pandemia (ufa, que sorte. Caso contrário, a coisa iria complicar porque se tiver vacina não vai ter como aplicar já que também não tem seringas), que o Queiroz, seu homem de confiança, é um injustiçado, que a primeira-dama não tem nada a ver com essa história, que seu filho Flávio só ficou milionário caindo de boca no chocolate, que o sítio de Atibaia e o apartamento do Guarujá não são seus…Opa! Acho que tô misturando os meliantes, digo, presidentes. Desculpa aí!
Esta crônica foi originalmente publicada em O Boletim, em 18/12/2020. 

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