O casal no restaurante

Não havia aviso, como o comum “você está sendo filmado”. No entanto, o casal que, na segunda-feira, entrou em um restaurante japonês do meu bairro não escapou ileso. Não me perguntem como fui parar em um “rodízio japonês”, essa criação que deve ter deixado de cabelo em pé os antigos donos das tradicionais casas da Liberdade.

Resisti ao rodízio, mas filhos, sobrinhos, essa geração libertária acabou me convencendo a experimentar (um argumento forte foi que pagaram a conta).

Às tantas entrou o casal. Instalou-se na mesa atrás da nossa, ao lado de um aquário da decoração. Não passou muito, um dos nossos, uma sobrinha, que estava de frente para o casal, começou a cochichar algo para minha filha, de costas para o alvo.

O ruído ambiente não permitia que Mônica entendesse o que Priscila falava. Não demorou um segundo, a primeira recebe, no celular, mensagem da segunda. Nossa reportagem conseguiu a íntegra.

22:39 Mônica: Tem um casal atrás da Dena (minha cunhada)

22:39 Ou eles se odeiam

22:39 Ou se conheceram hj e n deu certo

22:39 Ele tá olhando pro aquário

22:39 Ela no celular

O casal alvo ficou pouco. Levantou-se e saiu. Devido à distância, foi possível concluir o relatório em viva voz. A moça foi para a farmácia, vizinha ao restaurante. O rapaz pediu o carro e ficou falando no celular.

O desfecho do episódio revelou-se frustrante, por convencional. O carro chegou, ela saiu da farmácia, os dois embarcaram e se foram. Talvez tudo não tenha passado de uma indisposição estomacal por parte da moça. Um problema desses não vale uma fofoca.

Outubro de 2018

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