Viva o Mensageiro!

Ao ler ou ouvir o farto noticiário sobre a corrupção no Brasil, onde milhão, bilhão, trilhão é lugar comum, ouço claramente a voz do professor Raimundo, criação do genial e saudoso Chico Anísio, a invectivar o espectador com seu delicioso bordão “E o salário mínimo… ó?”.

Pois é, querido professor, ainda estamos sem repostas para sua pergunta. Cada vez com menos dinheiro no bolso, mais nos espanta a quantidade assombrosa de dinheiro que passava de mão em mão, por baixo dos panos, e que se não fosse nossa aguerrida Imprensa continuaria a passar com velocidade e silenciosamente.

Ou você, leitor, imagina que saberíamos sobre o gracioso presente que a senhora Sergio Cabral recebeu por ocasião de seu aniversário, comemorado no Principado de Mônaco, se não fosse a Imprensa?

Para quem ontem andou entusiasmado lendo sobre a prisão do ardiloso Eduardo Cunha a ponto de não ter tempo de ler mais nada, repito aqui uma notícia muito interessante: o empresário Fernando Cavendish é levado pelo governador Sergio Cabral à joalheria Van Cleef & Arpels, em Monte Carlo, e lá paga com seu cartão de crédito o presente de R$ 800 mil que o governador daria à sua mulher. Não, a notícia não menciona se Cabral tinha alguma arma apontada contra Cavendish. Será que foi a voz melíflua do governador que hipnotizou o empresário e o fez aceitar esse encargo?

Claro que esse anel será um parágrafo menor no livro que num futuro distante falará sobre a gulosa corrupção que afundou e tentou destruir o Brasil, e que o teria conseguido, não fosse a Imprensa sempre atenta e voltada para o bem do país. Como publicou ontem em O Globo a jornalista Maiá Menezes: “(…) Foi de investigações da imprensa que saíram informações fundamentais para abastecer as investigações da Lava-Jato”.

A corrupção é tão antiga quanto a prostituição. Não é uma criação brasileira. As paredes do Senado Romano registraram muitos discursos sobre o roubo de dinheiro público.  “Cui prodest?”, pergunta cunhada pelo cônsul Lúcio Flávio tantas vezes repetida pelo grande orador Cicero ao falar dos erros e crimes cometidos contra a República que correu o Mundo Romano e chegou até nós, é a pergunta que a Justiça brasileira agora faz:  “A quem interessa?”.

Para responder a pergunta tão fundamental, precisamos da ajuda inestimável da Imprensa, pois sem ela quantos anéis não passariam despercebidos?

Robert Kennedy (1925/1968), quando Procurador-Geral da República no governo de seu irmão Jack, declarou: “Não acredito que repórteres possam substituir um Procurador da República, mas a Imprensa tem um papel investigativo muito importante. Reportagens sobre corrupção no Governo, extorsão e condições impostas pelo crime organizado, são grandes auxiliares na manutenção da Justiça em nossas comunidades e em todo o país”.

Nada mudou muito nestes últimos anos. A Imprensa continua a ser um grande auxiliar na vida de um país. Não é à toa que Donald Trump, aquele tipo extravagante que imagina chegar à presidência dos EUA apenas baseado em seus trilhões de dólares, agora se volta contra a Imprensa e ameaça, se for eleito, abolir a Primeira Emenda da Constituição Americana, aquela que garante ao povo americano a Liberdade de Expressão e proíbe o Congresso de restringir a Imprensa ou os cidadãos de falarem livremente.

Cui Prodest, Trump? Só mesmo a fulanos como você.

Este artigo foi originalmente publicado no Blog do Noblat, em 21/10/2016. 

Um comentário para “Viva o Mensageiro!”

  1. Viva a imprensa então. No Brasil a imprensa é partidária e atende a interesses privados. Daí os golpes de 54, 64 e 2016. Abaixo o PIG.

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