Vai reclamar com o bispo!

No somenos, o telefone toca e este seu amigo, imprudentemente, atende com cortês “alou”. Entra uma gravação, voz acusadora de mulher: “Seu canalha, você não pagou a conta do celular. Cometeu crime hediondo e vamos mandá-lo para a masmorra.”

Era a Vivo. A voz não usou essas palavras, mas o sentido foi aquele. À noite, outra gravação. Agora um homem de voz grossa, incisiva, ameaçadora. Acusava o delito, e ameaçava: “Pague ainda esta noite, ou seu nome irá para os órgãos de proteção ao crédito”, etc..

Uma gravação não deixa espaço para explicações. Tem o propósito de intimidar. Não pude ao menos dizer, em minha defesa, que a conta fora paga no dia do vencimento. Entrei no site da empresa: ali está ela, constando como paga.

No dia seguinte, toca o celular: ligação da Vivo procurando por uma Elvira, coisa assim, que não conheço. Acho que foi ela a coitada que cometeu o crime, e, por engano, estavam com o meu número. Reclamei, contei o que estavam fazendo com um inocente, ameacei.   Até o momento me deixaram em paz.

Mônica, minha filha, vem sendo incomodada por ligações e mensagens de texto da Sky. “Regularize sua situação ou sua assinatura será cortada”. Ela explica, explica, e nada. O que ela diz: não assina a Sky.

Nesta sexta-feira veio o e-mail da Net. “Devido a não localização do pagamento dos débitos ocorreu a recisão do contrato.” Com isso, o débito irá para “o órgão de proteção ao crédito”.

E lá vai Mônica. Pára de trabalhar, liga para a Net. Perde seu tempo para explicar que a conta está paga. A atendente estranha, pede tempo, por fim  constata: a conta está paga.

O que resta a nós, pobres mortais, vítimas da incompetência e da truculência dos que nos prestam serviço? “Vá reclamar com o bispo”, dirá alguém. A propósito, soube que Guarulhos está com novo bispo, D. Edmilson Amador Caetano. E que seu lema episcopal é: “Deus providenciará”.

Só assim mesmo.

Abril de 2016  

 

4 Comentários para “Vai reclamar com o bispo!”

  1. Muito bom. Vou repassar para os amigos. Eu tenho mais sorte com as operadoras. Mas sou sou alvo dos presidiários: recebo sempre telefonenas de uma filha que está sendo assaltada, sequestrada ou acabou de ser atropelada. Deixo falarem bastante e depois respondo um “ó coitada”. Só da terceira vez se mancam e desligam. Alguns xingam ou dizem que vão me matar.

  2. Valdir e suas histórias saborosas recheadas de cotidiano. Meu celular não se auto imola em baldes de gelo,sucumbe semanalmente por falta de carga.
    Não atendo as mensagens e apelos da operadora concessionário de serviços públicos privatizados por algum governante e fiscalizados por uma agência reguladora.
    Que falar então caro Valdir das contas de energia, os cortes por falta de pagamento de serviços de extrema necessidade, serviços que deveriam ser gratuitos.
    Como não temos como reclamar ao bispo Dom Edimilson, aqui em Guapimirim reclamamos direitos fundamentais no Fórum através do Dr.Juiz.
    Vezes mais rápido que atenção as nossas preces.

  3. Luiz Carlos, não tenho a sua paciência. Assim que percebo a jogada, desligo. Certa vez xinguei o cara, mas acho que não é prudente. Este país está uma beleza, telemarketing de bandido.
    Miltinho, cortar a luz de quem mal tem para o leite é muita sacanagem. Ainda bem que o preço caiu. Subiu 60%, caiu 6%… Em Guarulhos temos que ficar nas preces, não há juiz para 1,2 milhão de habitantes…

  4. Hahaha, os textos do Valdir são ótimos! Poucas pessoas têm o número do meu celular (nunca o coloco em cadastros de lojas, por exemplo), então eu não atendo números que não conheço, ou ligações com o DDD 11 (e nem qualquer outro DDD, pra falar a verdade, mas o de SP é mais comum), porque sei que fatalmente será uma empresa perturbando. Aproveito e ainda coloco o número na lista de bloqueados.

    Um fato ~engraçado~ que aconteceu comigo uma vez, foi que um número do interior do meu estado me ligou insistentemente. Fiquei com dó e atendi, mesmo indo contra os meus “princípios”. Óbvio que era engano. Depois de esclarecer que o número não era da pessoa que o homem procurava, que o número sempre foi meu, ele ainda me contou por alto a história (acho que era representante de vendas) e pediu desculpas. Um tempo depois mandou um SMS se desculpando novamente. Eita!

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