Os amigos de Marina

2016-04 - Marina dia 15 - Foto Carlos - 1 - 720

Foi uma absoluta delícia a festa que Marina fez hoje com um grande monte de amiguinhos. Ela curtiu demais, demais, demais, daquele jeito de quando ela está especialmente alegre, com pulinhos, corridinhas, gritinhos, exclamações de puro prazer.

Colocou com imenso cuidado – em meio a toda a excitação – os amiguinhos no sofá da sala. Por várias vezes mudou de idéia a respeito da posição exata em que colocar cada um, e foi pondo todos eles na ordem que mais parecia conveniente.

Como eram muitos, muitos, muitos, vários se acomodaram no colo de outros maiores.

Para si própria, desde o início do processo reservou o lugar mais nobre, bem no centro.

Quando finalmente se deu por satisfeita, achou que o número de amigos já era suficiente, e que estavam todos em boas posições, sentou-se – com o amigo número 1, o Elmo, é claro, no colo.

Foi fotografada pelo pai, pela mãe e pelo avô.

Tão linda, uma boneca tão doce no meio de tantos bonequinhos simpáticos, passou uma parte da sessão de fotos fazendo caretas.

As crianças, mesmo as absolutamente mais doces, são crianças.

***

A lembrança de fazer a reunião de amiguinhos, modéstia à parte, foi aqui do degas avô. Mas só a lembrança. Juntar os amiguinhos no sofá, muitos deles, quase todos eles, é uma brincadeira que Marina adora fazer desde muito, muito pequetita.

Fazia bastante tempo que não a via brincar disso. Senti falta. E então, pouco depois que cheguei à casa dela, hoje, fiz a proposta.

Entusiasmou-se. Correu para a Cláudia: – “Cau, o vovô tive uma idéia…”

Cláudia corrigiu: – “Teve…”

Foi em frente firme: – “Que tal se a gente levar muitos amiguinhos para o sofá e aí o vovô tira foto?”

Severa, Cláudia disse que era uma ótima idéia, mas para depois do jantar. A pequena protestou, é claro, é óbvio, é natural.

***

O jantar foi mais longo que o normal, por culpa única e exclusiva minha: Marina me enrola, e não tenho força e/ou jeito e/ou capacidade para impedir que ela me enrole. Quando a avó dá comida, a pequena tenta enrolar, mas a avó consegue fazer com que a coisa ande a um ritmo aceitável – às vezes ameaçando parar e entregar a tarefa para a Cau, o que tem o efeito imediato de fazer Marina abrir o bocão.

O fato foi que quando a mãe chegou do trabalho a pequena ainda estava jantando – quando o normal é que ela já esteja vendo o DVD pré-banho na hora de a mãe chegar.

Mas hoje é sexta, e aí houve uma rodada de consultas, e foi consentido que houvesse uma sessão de brincadeira antes do DVD. E aí falei uma frase tipo “vamos fazer aquela brincadeira, então?”

E o rostinho dela se iluminou. Contou para a mãe que iria reunir os amiguinhos na sala, que ela e o vovô iriam pegar os amiguinhos, e pediu para a mãe ajudar também.

***

A brincadeira juntar amiguinhos na sala é exatamente como tudo que há de bom na vida: o caminho importa mais que a chegada. A chegada, o gol, o objetivo, ah, é uma maravilha, sem dúvida: ter Marina ali sentadinha, feliz de tudo, que nem pinto no lixo, no meio dos amigos todos, é o que há.

Mas os preparativos, o caminho, é a felicidade em estado bruto.

Ela dá gritinhos, ela corre a mil por hora pelo corredor, ela se excita na hora de escolher quem vai pegar, quem vai pedir para a mãe pegar, o avô pegar.

Ver Marina reunir seus amiguinhos na sala é uma das maiores alegrias que já tive na vida.

***

Acho que é comparável com a alegria que tinha ao pegar a mãe dela na Fralda, na Alves Guimarães, todo santo dia da semana, finalzinho de tarde, e levá-la para a casa dela, na João Moura, e aí fazer companhia a ela durante o longo banho de chuveiro na banheira, no meio dos brinquedinhos, antes de, ela se sentando para jantar, eu sair rumo ao jornal.

Por coincidência, anteontem mesmo, quarta, dia 13, depois que me encontrei com Mary nos jardins da Faculdade de Saúde Pública, na Doutor Arnaldo, resolvemos caminhar por Pinheiros abaixo; passamos pela Alves – onde ficava a bela casa da Fralda hoje há um prédio gigantesco –, descemos uma quadra da Teodoro, pegamos a quadra sem saída da Cristiano, descemos as escadarias da Cristiano para a Cardeal, e contei pela bilionésima vez à Mary que, quando Fêzinha era pequetita como Marina é agora, eu a pegava na Fralda e a cada dia fazia um caminho diferente entre a escolinha e o prédio dela.

Foi uma das melhores coisas que já me aconteceram na vida Suely e eu termos chegado à conclusão, depois de dois anos de brigas e sofrimento, de que o melhor que poderíamos fazer seria estabelecer uma rotina para que a Fê visse sempre o pai.

Mas aí viajandei por Pinheiros e pelo passado. Nada contra – nem contra Pinheiros, nem contra o passado.

***

Se errou na pessoa do verbo, se trocou o “teve” por “tive”, foi por estar muito excitada, e falando depressa. Aos 3 anos e 1 mês, completados exatamente hoje, Marina me assombra nos quesitos plural e conjugação verbal.

Depois que foi fotografada mil vezes com seus amigos no sofá, era hora do DVD. Marina nos garantiu que seus amigos gostariam de ver DVD com ela e queriam mesmo ver. Gostariam, queriam.

E aí apresentou ao avó o DVD dos Barbatuques. Gente fina.

Claro que é gente fina. Marina tem bom gosto.

15/4/2016

3 Comentários para “Os amigos de Marina”

  1. Que lindos, Sergio. O texto, a foto, a ideia da festa com os amiguinhos (apaixonantes todos, eu bem queria alguns deles…), mas especialmente o sorriso feliz da Marina. Lava a alma! MH

  2. Só tenho duas palavras para comentar esse texto: vovô babão. =D

    Marina está muito figurinha na foto, nem parece que passou parte do tempo fazendo careta. Eu me lembro de outra fotografia parecida com essa, de quando ela era um pouco menor. Dá até pra você ‘linkar’ o texto que tem essa foto aqui, se quiser.

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