“Minha mãe adora essa banda”

Marina pegou o apoiador de copo com a capa do Abbey Road e falou: “Minha mãe adora essa banda”. Botando especial ênfase no verbo, escandindo as sílabas: a-do-ra.

P1180071Fazia já algumas semanas, talvez até uns dois meses, que a Fê tinha contado que Marina ouviu “She loves you” e gostou muito, cantou junto o yeah, yeah, yeah. E os quatro apoiadores de copo com capas de discos dos Beatles – Rubber Soul, Sgt. Pepper’s, Abbey Road e Let it Be, que aliás foram presente da Fê para mim – ficam sempre na mesinha de centro da sala. Marina adora brincar com apoiadores de copo, sempre gostou, desde bem pequenina. Quando ela vem, ponho mais à vista os dois outros conjuntos de apoiadores que ficam na sala, porque é fatal que alguma hora ela vai brincar com eles.

A absoluta novidade de hoje foi ela identificar a capa de Abbey Road com “a banda que minha adora”.

Fui correndo pegar o Past Masters, Vols. 1 & 2, e botei pra tocar “She loves you”. Marina dançou ao som de “She loves you” com uma carinha super alegre.

A avó comentou: – “Pronto, agora mata o avô de alegria. Era o que faltava, Marina virar beatlemaníaca”.

Mais tarde, quando Fêzinha veio pegá-la, e contei a história, ela explicou que Marina ganhou de um casal amigo do pai um livrinho para crianças (*) que fala sobre os grandes cantores e bandas de rock, uma espécie assim de primeira introdução ao rock e ao pop. Na página dos Beatles, a ilustração é a capa do Abbey Road.

“Minha mãe adora essa banda.” Que figurinha!

***

Teve outra muito boa neste domingo em que fomos incumbidos pela Fê de cuidar da pequena durante algumas horas, para que ela e o pai ficassem um tempo na festa de aniversário de um amigo, no Conceição Discos, um lugar extremamente simpático em Santa Cecília – ou, se estivéssemos no Rio, no Baixo Higienópolis. Eles levaram Marina para a festa, que começou no finalzinho da tarde e tinha outras crianças. Demos uma passada lá, bem rápida, e pegamos a pequena, antes que ela ficasse cansada do bar.

Não foi, de forma algumas, a primeira vez que aconteceu de pegarmos Marina com os pais e ficarmos com ela um tempinho, mas ainda acho sensacional, incrível, como ela se despede dos pais na maior tranquilidade do mundo, alegrinha, para ficar com vô e vó.

Sim, mas eu dizia que teve outra muito boa. Aconteceu na hora da Peppa, depois de passarmos uma hora e pouco brincando de tudo que ela sempre brinca aqui em casa, e depois de a Mary preparar e dar jantar para ela. Depois do jantar tem sempre, na casa dela, durante a semana – é uma rotina seguida à risca – um momento DVD. Se é música – Palavra Cantada ou Arca de Noé ou Pequerruchos –, é permitida uma meia hora. Se for Peppa Pig, são quatro histórias e não mais que quatro histórias. De qualquer forma, um pouquinho de DVD pós jantar é de lei.

2015-09 - Marina dia 27 - Vendo Peppa - IMG_1099 - CorteHouve uma hesitação de Marina quanto à nossa colocação no sofá. Em geral, no sofá da casa dela, ela prefere ou ficar entre vó e vô, ou entre um dos dois e o braço do sofá, no cantinho. Hoje, meio que hesitou entre o cantinho e ficar no meio. No fim pediu colo da avó. Eu disse que não ficaria no sofá, sentaria na minha poltrona, porque aí daria para assistir à Peppa e também assistir à Marina. E brinquei: – “Marina também é bom de assistir”.

Marina me olhou com aqueles olhões grandes, lindos, maravilhoso, durante alguns segundos, pensando. E aí disse, firme: – “Eu sou uma pessoa”.

Tipo: deixa de ser besta, vô, eu não sou DVD, não sou historinha.

“Minha mãe adora essa banda.”

“Eu sou uma pessoa.”

Detalhinho: durante a sessão Peppa, no colo da Mary, pousou a mãozinha em cima da mão da avó, dedinhos em cima dos dedinhos da avó. E deixou-a pousada ali.

Coisa mais absolutamente doce.

27/9/2015

O livro é Rock para Pequenos, Um Livro Ilustrado Para Futuros Roqueiros, de Laura Macoriello, com ilustrações de Lucas Dutra, das Edições Ideal.

6 Comentários para ““Minha mãe adora essa banda””

  1. Beatles em 3 gerações, pai, filha e neta. A arte dos besouros e a angélica criança atenuam a indignação do editor.

  2. “Eu sou uma pessoa”. É impressionante saber que uma petitinha de 2 anos e pouco disse isso com a nítida intenção de corrigir o avô.
    Emociona, sabem? Marina, você é um doce, mas não é doce de leite de colher. É em barra… daqueles que só são bons em MG.
    Tenho a impressão que você não vai ser preconceituosa com velhos: quero ser sua amiga para ouvirmos juntas uma de minhas músicas favoritas: She Loves You. Um beijo, MH

  3. Muitíssimo obrigado pelo comentário, MH!
    Acho que a Marina te responderia assim:
    – Eu já sou grande! Tenho dois anos e meio!
    Ela é fofa demais da conta. E o amor que ela tem pela Mary é um negócio encantador, Maria Helena…
    Grande abraço.
    Sérgio

  4. Olá, Sandra!
    Muitíssimo obrigado por enviar o comentário!
    Que bom saber que você gostou…
    Um abraço!
    Sérgio

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