Mais ação, menos palavras

“Só a educação liberta um povo”. Foi assim que a presidente Dilma Rousseff anunciou em janeiro deste ano, com toda pompa e circunstância, o lema de seu segundo governo: Brasil Pátria Educadora.

Para tal tarefa espantosamente escolheu o controvertido ex-governador do Ceará, Cid Gomes (PROS), para ser o ministro da Educação.

Não deu outra e dois meses depois Cid foi demitido por arrumar uma confusão histórica no plenário da Câmara dos Deputados.

Para substitui-lo Dilma convocou Renato Janine Ribeiro, um respeitado professor de ética e filosofia, mas distante das grandes questões da educação básica e com pouca experiência na área de gestão pública.

Nesta segunda-feira, o novo ministro esteve no programa Roda Viva da TV Cultura de São Paulo e decepcionou quem esperava ouvir suas propostas.

Uma pena. O programa é um patrimônio da televisão pública brasileira. Em 1h30 de TV é possível transmitir idéias com clareza, enfrentar polêmicas, apresentar propostas. Era isso que se esperava de quem tem o desafio de fazer a grande revolução da educação no nosso país.

Mas a participação de Janine foi morna. Perdeu uma grande oportunidade para mostrar a que veio. O ministro saiu pela tangente na maioria das respostas que deu, sempre procurando uma zona de conforto onde pudesse teorizar e fazer suas reflexões acadêmicas. Ou dizer generalidades.

De concreto nada disse sobre o ensino médio e muito menos sobre a formação dos professores, ponto fundamental para a melhoria da qualidade do ensino no Brasil. E quanto à essencial articulação entre os entes federativos teve uma resposta melancólica: “vamos ouvir as partes”.

Sobre a concessão de bônus de desempenho ou a possibilidade de aproveitar a experiência bem sucedida das “charter schools” americanas, Renato Janine desconversou dizendo genericamente que “isso tem que ser discutido”, afinal “são questões que têm defensores e têm muitos críticos também”.

O ministro foi sempre afável e muito educado, mas não deu um só exemplo de como vai atuar, nem deixou claro onde quer chegar.

Repetia a todo momento que é preciso discutir, ouvir segmentos, montar comissões, procurar o consenso. Parecia ser um escravo do assembleísmo, essa prática recorrente nos governos petistas que não chega a lugar algum.

Como pouco esclareceu, persistem as dúvidas se o novo ministro da Educação está à altura do que seria sua grande missão: promover um profundo rearranjo da Educação, com garra, sentido de urgência e capacidade de aglutinar, ou seja, de promover uma mobilização nacional para que a educação básica pública mude de patamar.

De Renato Janine Ribeiro é cobrado o cumprimento de uma agenda sobejamente conhecida e de amplo consenso nacional.

A ele não é dado o direito de errar ou deixar de agir, sob pena de condenar o país ao desastre da ignorância e ser, mais uma vez, retardatário. Espera-se, portanto, mais ação e menos palavras do senhor ministro.

Este artigo foi originalmente publicado no Blog do Noblat, em 10/6/2015.

Um comentário para “Mais ação, menos palavras”

  1. RESUMINDO 50 anos esta semana – existem Jornalistas analfabetos – ou pior ainda – existem os tendenciosos que quando usavam revólveres bastava um tiro só, hoje com muitas palavras e pouca ação combatem um governo tão incompetente que autoriza o ensaio de epitáfio, aqui jaz porque fez jus.
    Piloto automático ligado, deuses gregos invocados, no divã do analista de 50anos, fico com a esperança em Marina Silva VAZ e a saudade de Fernando BRANT dois anjos que aqui existem para sempre.

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