Dilma excede

Dilma Rousseff, assim como a imbecilidade e a falta de vergonha, não pára de surpreender. Quando achamos que já vimos e ouvimos de tudo, que não pode haver nada pior, lá vem um novo feito, uma nova superação, um novo recorde.

É impressionante.

Nesta terça-feira, 23 de junho – o mesmo dia em que seu criador, o ex-presidente Lula, conseguia tirar das manchetes dos principais jornais do país os números pavorosos da economia pelos quais ela é responsável, ou o noticiário sobre os escândalos de corrupção, ao fazer fortíssimas críticas ao governo e ao PT, como se ele não tivesse nada a ver com o governo e o PT –, Dilma brindou o país com algumas das mais fantásticas pérolas de seu raciocínio nonsense.

Foi em Brasília, na abertura dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas.

Dificilmente um humorista, por mais brilhante que fosse, conseguiria cunhar o que Dilma proferiu de improviso, sem – ao que relatam os repórteres presentes – pestanejar, sem enrubescer. Nem um Dias Gomes, nem um Aguinaldo Silva teria a imaginação para botar na boca de Odorico Paraguaçu tanta insanidade.

As redes sociais estão cheias, hoje, de trechos da fala da presidente Dilma. Eu mesmo postei dois pequenos trechos. Mas senti necessidade de fazer este post para gravar as frases inteiras.

A ode à mandioca:

“Nenhuma civilização nasceu sem ter acesso a uma forma básica de alimentação e aqui nós temos uma, como também os índios e os indígenas americanos têm a deles. Temos a mandioca e aqui nós estamos e, certamente, nós teremos uma série de outros produtos que foram essenciais para o desenvolvimento de toda a civilização humana ao longo dos séculos. Então, aqui, hoje, eu tô saudando a mandioca, uma das maiores conquistas do Brasil”

zzzzzzbúlgaraA invenção da mulher sapiens:

“Aqui tem uma bola, uma bola que eu acho que é um exemplo. Ela é extremamente leve, já testei aqui, testei embaixadinha, meia embaixadinha… Bom, mas a importância da bola é justamente essa, é símbolo da capacidade que nos distingue. Nós somos do gênero humano, da espécie sapiens, somos aqueles que têm a capacidade de jogar, de brincar, porque jogar é isso aqui. O importante não é ganhar e sim celebrar. Isso que é a capacidade humana, lúdica, de ter uma atividade cujo o fim é ele mesmo, a própria atividade. Esporte tem essa condição, essa benção, ele é um fim em si. E é essa atividade que caracteriza primeiro as crianças, a atividade lúdica de brincar. Então, para mim, essa bola é o simbolo da nossa evolução, quando nós criamos uma bola dessas, nos transformamos em Homo sapiens ou mulheres sapiens.”

(Na foto, de autoria de Evaristo Sá, da AFP, a presidente segura a bola que havia recebido de presente de representantes da Nova Zelândia nos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas.)

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Como é que a maioria dos eleitores deste país foi capaz de eleger presidente da República esse monumento incrível, e não uma vez, mas duas?

A culpa é nossa. É da maioria dos eleitores.

E a Constituição, creio, não prevê impeachment pela absoluta falta de domínio das faculdades mentais do ocupante da Presidência da República.

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Não, não é tudo invenção da zelite, dos coxinha, dos branco de zôio azul. Eis a íntegra do texto da repórter Marina Dias, publicado no portal da Folha de S. Paulo ainda na terça-feira, dia 23 de junho, às 23h31:

“Foram quase dez dos vinte minutos de seu discurso dedicados a cumprimentar as autoridades presentes na abertura dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas, nesta terça-feira (23) em Brasília. Mas a presidente Dilma Rousseff surpreendeu mesmo ao fazer um cumprimento especial ‘à mandioca’ e ao criar uma nova categoria na evolução humana: as ‘mulheres sapiens’.

“‘Nenhuma civilização nasceu sem ter acesso a uma forma básica de alimentação e aqui nós temos uma, como também os índios e os indígenas americanos têm a deles. Temos a mandioca e aqui nós estamos e, certamente, nós teremos uma série de outros produtos que foram essenciais para o desenvolvimento de toda a civilização humana ao longo dos séculos. Então, aqui, hoje, eu tô saudando a mandioca, uma das maiores conquistas do Brasil’, disse Dilma de um fôlego só.

“A platéia riu baixinho. E a presidente continuou dizendo que é de se orgulhar ‘ter no DNA do nosso país essa relação com a natureza’.

“‘A capacidade de ter na natureza não aquela a quem se subjuga e explora, mas uma relação fraterna de quem sabe que é dessa relação que nasce nossa sobrevivência.’

“Dilma segurava nas mãos uma bola cinza escura, a qual colocou debaixo do braço quando se dirigiu ao púlpito para fazer, de improviso, seu discurso. Não quis passar a bola para um assessor, que logo se aproximou para ajudá-la a ficar com as mãos livres. ‘Não precisa’, sussurrou.

“Usaria em sua fala o presente que veio ‘de longe, da Nova Zelândia’ para, segundo ela, ‘durar o tempo que for necessário.’

“‘Aqui tem uma bola, uma bola que eu acho que é um exemplo. Ela é extremamente leve, já testei aqui, testei embaixadinha, meia embaixadinha… Bom, mas a importância da bola é justamente essa, é símbolo da capacidade que nos distingue’, recomeçou Dilma sob suspiros dos presentes.

“‘Nós somos do gênero humano, da espécie sapiens, somos aqueles que têm a capacidade de jogar, de brincar, porque jogar é isso aqui. O importante não é ganhar e sim celebrar. Isso que é a capacidade humana, lúdica, de ter uma atividade cujo o fim é ele mesmo, a própria atividade. Esporte tem essa condição, essa benção, ele é um fim em si. E é essa atividade que caracteriza primeiro as crianças, a atividade lúdica de brincar. Então, para mim, essa bola é o simbolo da nossa evolução, quando nós criamos uma bola dessas, nos transformamos em Homo sapiens ou mulheres sapiens’, concluiu. Dessa vez, entre risos menos tímidos da plateia.

Sentada na primeira fileira do auditório que abrigou a cerimônia, ao lado do governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), Dilma assistiu a apresentações de danças típicas indígenas, foi abençoada por um pajé e citou a civilização grega para dizer que, com ela, ‘aprendemos a transformar os jogos em um momento de confraternização.’”

24/6/2014

3 Comentários para “Dilma excede”

  1. Quando uma parte da sociedade se move para a direita, as consequências sociais são amplas. Não se limitam a aspectos econômicos. Elas se espraiam pelo direito, pela cultura, pelos costumes, pelo clima geral de intolerância que vai tomando a sociedade como uma onda. A insana campanha pode causar danos a todos, indistintamente, a esquerda e a direita.
    Exemplo disto é a proposta de redução da maioridade penal é uma boa amostra disto.
    Somos o quarto pais em número de encarcerados, perdemos para China, EUA e Rússia. Em breve seremos campeòes.
    Enquanto isto nào acontece, a agenda presidenta é preenchida com mandioca, bola e jogos indígenas.

  2. Meu Deus! Não tenho palavras! Agora foi demais! Seus discursos foram sempre cheios de besteiras mas esse ultrapassou!Isso é que é uma mulher sapiens. Essa maravilha certamente está correndo o mundo . E nós, brasileiros burros e ignorantes, votamos duas vezes nesta peça! Vergonha, vergonha, vergonha..

  3. Dilma é felomenal, como diria o Giovanni Improta!
    Fico sem saber se ela nasceu assim, se foram os anos presa que danificaram seus neurônios, ou se foi a convivência com o Brahma…
    MH

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