Doentes pobres podem morrer pela pátria

A trupe de saltimbancos de Brasília conta com o sacrifício dos doentes pobres para salvar o País. Decidiu acabar com a maior parte dos medicamentos da Farmácia Popular, vendidos com 90% de desconto.

Muito justo, terão achado. Cada um tem que dar sua parte para o reerguimento da nação, mesmo em troca de uma vida de sofrimento, de dor, ou da partida prematura deste vale de lágrimas.

Esses doentes não teriam cacife nem para pagar só os impostos (até 34%) dos remédios vendidos no comércio. Ora, direis. A Farmácia Popular compromete a arrecadação!

O ex-ministro Ademar Chioro, o breve, não destina um tostão à Farmácia Popular na proposta orçamentária para 2016, que mandou ao Congresso. Um braço do programa, com alguns remédios, escapou; mas vai encolher, e muito.

A verba deste ano para a Farmácia Popular soma R$ 578 milhões. Não é pouco… ou é? O programa atende s doentes em todo o País. Quanto valem as vidas que salva?

Com a repercussão dos fatos, Chioro prometeu tentar conseguir “novas fontes para financiar o programa”. Mas não teve tempo. Recebeu um telefonema da presidenta e teve que desocupar a cadeira.

No dia 5 tomou assento Marcelo Castro, psiquiatra e deputado federal (PMDB), ora investigado por compra de votos. Falou grosso. Os programas sociais do ministério, como o Farmácia Popular, serão mantidos. Haverá um pacto social, para novas fontes permanentes de financiamento da Saúde.

Há dias mudou o discurso. “A Fazenda, o Planejamento, os governadores, o Congresso vão encontrar uma solução para esses recursos. Fica muito mais sob a responsabilidade deles do que minha.”

Freud não, mas Pôncio Pilatos explica.

Outubro de 2015

Um comentário para “Doentes pobres podem morrer pela pátria”

  1. Os programas populares vão pouco a pouco reduzindo ate acabar. A farmácia popular tinha verba do orçamento que era repassada para a indústria farmacêuticas sendo 578- milhões não e pouco. Trocando em miúdos, o que era pago aos laboratórios pelo governo, agora é pago pelos próprios doentes, ou melhor, sai uma fonte de recursos/governo e entra outra/doentes, a fonte recebedora/indústria de medicamentos continua mantendo seus lucros e a saúde declina.
    Este é um governo autenticamente neoliberal, protege o lucro, o privado em detrimento do publico. A triste constatação é que em matéria de governo neoliberal FHC era muito, muito melhor.

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