Volta, Pizzolato!

Já fui vítima do Index Librorum Prohibitorum da Igreja Católica. Criado em 1559 por Paulo IV, só foi abolido em 1966 por outro Paulo, dessa vez Paulo VI. Antes que perguntem se foi logo no início, adianto que o Index me pegou em 1956.

A redação da prova final de Português era sobre estilos literários e eu resolvi escrever sobre o escritor que acabara de descobrir: Eça de Queiroz. No dia da entrega das notas recebo minha redação, intitulada “O Leito Filosófico e Virginal de João da Ega”, com um baita ZERO em lápis vermelho! Assim mesmo, em maiúsculas e sublinhado! Fui perguntar à professora se aquilo não era um engano. Ela tirou os óculos, me olhou severa e respondeu: “Não, não é um engano”. E mais não disse.

Cheguei em casa furiosa e me queixei amargamente. A pergunta que me fizeram foi a seguinte: “Você tem certeza do que diz? Que não tem uma vírgula errada em sua redação?”. Confirmei a informação. Como eu não era uma menor abandonada, a família saiu em minha defesa e descobriu meu erro: eu tinha sido apanhada na teia do Index. Eça era um escritor proibido. Claro que meu zero durou o que dura uma chuva de verão…

Quase 60 anos depois pensei ter me livrado dos Index, mas hoje sou vítima de outro Index: o dos Livros e Artigos Obrigatórios!

Entra mês, sai mês, entra ano, sai ano, surgem livros e artigos que alguns acham que todos devem ler. Geralmente são textos tentando desconstruir o mensalão petista e construir o mensalão tucano. Ou a fazer dos petistas as vítimas de um sistema cruel.

Pensei que o fato dos mensaleiros terem se livrado da pecha de quadrilheiros ia acalmar a galera, mas que nada. Como disse o jornalista Carlos Brickmann em seu artigo ‘Piada de Salão’:

Não importa quem o componha, o Supremo Tribunal Federal é a instituição que dá a última palavra em questões jurídicas. Pode-se gostar ou não (e é difícil formar opinião sem ter lido as 50 mil páginas do processo), mas a decisão de que não houve quadrilha no Mensalão foi tomada na forma da lei. Os réus se livraram da cadeia por quadrilha, ponto.

Estão presos só na qualidade de corruptos.

Repararam? Não são mais quadrilheiros. São só corruptos.

Isso não bastou. A última moda em leitura é o inquérito 2474 “repleto de laudos oficiais sobre o Visanet”. Parece a Maravilha Curativa dos velhos tempos. Cura tudo, inclusive a suposta mosca engolida pelos mais famosos advogados do Brasil. Custo a crer nisso, parece que confio mais na competência desses advogados que os petistas.

Mas os insistentes estão com sorte. Vem aí, ou pelo menos o Governo Federal espera que venha, o homem que sabe tudo sobre o Visanet, cujos tablets e pen drives têm a planta do tesouro. O caso Visanet será enfim dissecado e tudo será esclarecido. Tudo.

Pizzolato, por favor! Nunca ninguém foi tão ansiosamente aguardado! Volta, Pizzolato!

Este artigo foi originalmente publicado no Blog do Noblat, em 7/3/2014.

Um comentário para “Volta, Pizzolato!”

  1. Precisou o Pizzolato fugir para darem atenção ao 2474. Muita TV, muita mídia pata a AP 470e pouca atenção para o mensalão mineito. Nada será devidamente esclarecido. continuaremos reféns do INDEX.

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