Quantas Pasadenas?

Então é assim: conselheiros da administração da Petrobrás aprovam transações de muitos milhões de dólares – compras, vendas, fusões, investimentos – sem ler contratos, sem conhecer cláusulas, sem ter noção dos ganhos e danos de um negócio. Embolsam entre R$ 8 mil e R$ 10 mil por mês para ler pareceres que, conforme confessou a presidente Dilma Rousseff, podem ser “técnica e juridicamente falhos”.

Arrepia imaginar o quanto uma gestão assim custa à companhia e ao País.

O escândalo de Pasadena, que, com aval da então ministra Dilma, sugou a cifra  indecente de US$ 1,18 bilhão, pode ser apenas um pedaço. Quem garante que outros pareceres “falhos” não foram emitidos? Quantas Pasadenas podem existir?

Desconfiança criada pela própria presidente. Para tirar o peso de suas costas, Dilma  conseguiu lançar dúvidas sobre todas, absolutamente todas, as decisões do Conselho de Administração da Petrobras. Mais: desacreditou o corpo técnico da estatal menina dos olhos do PT, alvejando funcionários de carreira.

Dilma fez tudo errado, como não raro costuma fazer. Não aceitou nem mesmo a nota enviada pela amiga e presidente da Petrobras, Graça Foster, quando o jornal O Estado de S. Paulo pediu explicações sobre o voto na aquisição da refinaria. Rasgou a sugestão. Picou em pedacinhos o que poderia ser o seu melhor escape. Como de costume, preferiu a arrogância.

Como Pasadena é um daqueles negócios que quanto mais nele se mexe mais forte é o odor, o PT busca perfumar o ambiente com uma bateria de justificativas que, mesmo que não expliquem, parecem explicar. A ordem é blindar Dilma até Pasadena passar.

A ata tardia que apareceu depois do óleo derramado para tentar provar que todo o Conselho ignorava detalhes do contrato só piorou o que já era terrível. Não consertou o malfeito e escancarou a incompetência dos conselheiros e da própria presidente.

Demissão sumária e prisão de diretores e ex-diretores feitas às pressas causaram ainda mais estranheza. A compra dos 50% de Pasadena aconteceu em 2006, o litígio que obrigou a arrematar o restante começou em 2008. De lá para cá – antes de a presidente Dilma ser citada como avalista – nada foi investigado, ninguém foi punido. Ao contrário, os culpados de agora tinham sido promovidos.

Dilma pode até se safar. Já para a Petrobrás – que em cinco anos caiu de 12º para 120º lugar no ranking do Financial Times das maiores empresas do mundo – difícil será recuperar a credibilidade depois de a presidente da República dizer que seus conselheiros não leem o que assinam.

Vale a pergunta: de quantas Pasadenas é feito o governo Lula-Dilma?

Este artigo foi originalmente publicado no Blog do Noblat, em 23/3/2014.

3 Comentários para “Quantas Pasadenas?”

  1. Outras perguntas, Passadena é rentável? Em quanto tempo se paga? Empresas ranqueadas em 120º lugar dão lucro ou prejuízo?

    O pescador de São Chico (SC) quer subsídio do govêrno para a pesca, depois que o William Boner noticiou o custo de Passadena. O PT vai perdendo seus eleitores.

  2. A Petrobrás já tentou vender Pasadena, Miltinho. Mas não tem tanto bobo assim por aí. O maior preço encontrado foi US$ 180 milhões, o que ainda daria um prejuízo de 1 bilhão de dólares. E empresas que caem em tão poucos anos de 12ª para 120ª no Ranking mundial, até continuam dando lucro, principalmente porque nem Chaves conseguiria quebrar uma petroleira. Mas, com certeza é um lucro bem menor do que obteria se fosse administrada profissionalmente e não por executivos indicados por critérios políticos, em vez de técnicos. A empresa acumula perdas de R$ 185 bilhões e queda de 51% no valor de mercado das ações.

  3. Realmente será difícil passar o mico para frente. A solução é vender fiado para os cubanos ou bolivianos.
    Nosso sonho imperialista emperra nas mãos dos petistas.
    Esta na hora de comprar ações da Petrobrás e vender na alta. Alta prevista com a volta de técnicos tucanos ao poder. Os espertos tucanos compraram sucatas de trens superfaturadas. O PT tem muito a aprender.

Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.