O ano em que Marina nos fez felizes

2014-12 - Marina dia 24 - Fotos e montagem Carlos

Não tem jeito, não há outro lead possível para um balanço de ano: 2014 foi o ano em que Marina nos fez felizes.

Claro: Marina já havia nos feito felizes em 2013. Mas em 2014, em que entrou com 9 meses e meio, nos fez mais felizes ainda, toda crescendo, toda a cada dia aprendendo mais coisas, aumentando o repertório, ampliando os conhecimentos, a cada dia se comunicando mais com a gente, interagindo, provocando, instigando, pedindo, exigindo, oferecendo.

Acompanhar o desabrochar da inteligência de uma criança é uma das experiências mais fascinantes que pode haver. E ninguém tem mais condições de fazer isso do que os avós.

Ser avô é uma experiência fantástica, gratificante, frutífera. Ser pai ou mãe é uma maravilha, é claro – mas exige atenção, cuidado, responsabilidade; dá um trabalho do cão, é uma tarefa hercúlea, mastodôntica, ciclópica, que não dá descanso. Em dezembro, Fêzinha postou no Facebook a seguinte frase: “Maternidade – Se você não está cansada, não está fazendo direito”. É bem isso, é bem verdade.

Ser mãe, ser pai, é uma maravilha – mas dá um trabalho do cão. Do cão.

Ser avó – eu ouvia as pessoas dizerem isso, e agora sinto como é bem verdade – não envolve responsabilidade, trabalho, sangue, suor, lágrimas. Avô não tem obrigação de nada – as obrigações são todas de pai e mãe. Aos avós cabe relaxar e gozar.

Ainda em 2013, tivemos a sorte grande de Marina e os pais se mudarem para bem pertinho de nós, ali do outro lado da Avenida Sumaré. Estamos a seis quadras dela. Para chegar lá, é preciso subir um pequeno morro, descer um morrão e subir outro morrão – mas são só seis quadras, e a caminhada não leva mais que 15 minutos. Todos os dias em que vou ver Marina – são uns três por semana – agradeço ao Santo Dani, o amigo do Carlos que os convenceu a comprar o apartamento da João Ramalho.

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Que maravilha é ver minha filha alegre que nem pinto no lixo.

O que ela enfrentou em 2010, meu Deus, ninguém merece.

Aí veio Marina, e nunca minha filha tinha sido tão feliz na vida. Estar com Marina, no começo da noite, e ver o rosto de minha filha se iluminar ao ver a filha dela, quando chega em casa depois do trabalho, não tem preço.

É bom demais, é lindo demais.

É bom demais, também, sentir, ver, perceber como o pai da minha neta baba por ela. É muito gostoso ver como o Carlos baba por ela.

Não temos conversado muito, Fê e eu. Ficamos juntos curtindo a Coisa Pequena, entretidos com a Coisa Pequena; quando falamos, é sobre ela. Não temos tido tempo para conversar muito sobre outras coisas. Marina nos ocupa plenamente.

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É a tal bola de neve morro acima. Uma coisa boa puxa outra, e outra puxa outra.

É muito gostoso ver como Mary e Marina se apaixonaram uma pela outra. Marina sente tanta falta da vovó quanto do vovô. Gosta tanto da companhia de um como da outra. Brinca feliz com um e com outra. E Mary baba por Marina como eu, e sente saudade de Marina como eu.

A gente sempre soube, mas é bom ver na prática, no dia-a-dia, diante da gente, que em laço afetivo a biologia, o DNA, é muito menos importante do que a convivência, o carinho de todas as horas.

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E que mais? Ah, teve o livro 50 Anos de Filmes, que ganhei de presente de um sujeito que nunca vi mais gordo nem mais magro, o Heitor Vasconcelos, carioca que cumpre pena justamente em Belo Horizonte onde uns 50 anos atrás comecei a ver filmes, e também presente, fisicamente, do meu irmão Geraldo. Fizemos 30 exemplares, eles se foram, e gostaria muito de fazer mais 30 – embora agora em dezembro tenha me surgido a idéia de fazer um outro livro diferente, este com os filmes escolhidos por mim, meus 20 filmes preferidos entre os que nunca foram muito badalados e não saíram na capa dos segundos cadernos. Sei lá se vai sair.

E teve a reunião dos 50 anos da formatura do ginásio no Aplicação, olha Belzonte aí de novo na história. Uma deliciosa idéia do Walter Carvalho que um grupo – Lalá em especial – abraçou e tocou em frente. Não é todo dia que você tem a oportunidade de sentar em uma mesa de bar com nada menos de três mulheres por quem você teve paixonite na adolescência.

Teve também que, depois de 50 anos como fumante, passei os últimos seis meses do ano limpo. Há seis meses me assusto com isso. Depois de 50 Anos de Filmes e 50 Anos de Textos, talvez eu devesse fazer um site 50 Anos de Cigarros.

E, como sempre se volta para Marina, teve a cerejinha no bolo de presentear a Fê no Natal com um álbum de 200 fotos de Marina, ao longo de 11 meses, sempre sentada exatamente no mesmo lugar, o cadeirão da cozinha. Como disse a Sarinha, isso é que é usar construtivamente a inclinação obsessiva.

28 e 29/12/2014

As fotos – a primeira feita na noite de Natal de 2013, a segunda, na noite de Natal de 2014 – são de Carlos Bêla. A montagem das duas em um combo também. 

 

4 Comentários para “O ano em que Marina nos fez felizes”

  1. Viva Marina e a felicidade que ela lhes trouxe!

    Concordo que DNA é muito menos importante nos laços afetivos que convivência e afinidade, graças ao bom Deus.

    Super apóio que publique mais um livro, desta vez com os filmes que você escolher.

    Parabéns pelos 6 meses sem fumar, torço para que continue! Só não leia o primeiro conto do livro “Só para fumantes”, que fala justamente sobre a luta do autor para parar. É que ele fala de cigarro o tempo todo, para um ex-fumante deve ser meio torturante.

    O álbum com as 200 fotos da Marina deve ter ficado ótimo, bom para ver o seu crescimento ao longo dos meses (ela está cada dia mais fofa, pelas fotos que vejo aqui).

  2. Sérgio,
    é bom te ler e pensar de que a vida pode valer a pensa.
    Beijo
    Vivina

  3. Parece que tomam fermento com a mamadeira…
    Parabéns aos pais e avós, Marina cresce linda e com um olhar muito do atento. Dá para ver que ela está gostando do mundo! Uma beijoca nessa carinha tão fofa! MH

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