Não vamos desistir do Brasil

Oh! Minas Gerais… Oh! Minas Gerais,

Quem te conhece não esquece jamais…

Oh! Minas Gerais…

Sou brasileira, paulistana, amo meu país cada vez mais. Moça, inquieta, curiosa, tentei por duas vezes morar fora do Brasil. Na Europa, onde o que não falta são cidades lindas, obras de arte de arrepiar a alma, cinema e literatura de altíssima qualidade, onde é fácil e proveitoso estudar, trabalhar e viver a vida. Mas não é onde mora o meu coração, onde moram as pessoas que fazem parte da minha paisagem pessoal.

Por que esse longo e maçante intróito, que talvez só a mim interesse? Porque não quero que pensem que estou privilegiando Minas Gerais por ser contra os outros estados. Longe disso.

Tenho amigos queridos cariocas, gaúchos, mineiros, paraenses, paulistas, pernambucanos. Meu único filho nasceu no Recife.

Minas e sua fidalguia e discrição, Pernambuco e sua bravura e seu panache, aliás, formam um arco de brasilidade comovente, berço que são de nossos dois mártires, Tiradentes e Frei Caneca, ambos mortos em nome da Liberdade:

Liberdade – essa palavra

que o sonho humano alimenta:

que não há ninguém que explique,

e ninguém que não entenda! (Romanceiro da Inconfidência, Cecília Meireles)

— Um condenado não pode falar.

Condenado à morte perde a língua.

— Passarei a falar em silêncio.

Assim está salva a disciplina. (Auto do Frade, João Cabral de Melo Neto)

Quem conhece as cidades históricas mineiras, a paisagem com o horizonte azulado, as igrejas, o casario, as ruas por onde pisaram os primeiros a pensar no Brasil livre de amarras, num Brasil brasileiro, sabe como é emocionante passear por ali. De Sabará a São João del Rei, passando por Mariana, Ouro Preto, Congonhas, Tiradentes, a emoção é a mesma, quem conhece confirma, quem não conhece não sabe o que perde.

Desde a metade do século 20 tivemos dois presidentes mineiros. Um protagonizou o segundo descobrimento do Brasil e o outro tirou o Brasil do estado de coma em que se encontrava.

Juscelino foi o estadista que cultivava a tolerância bem mineira, o homem que respeitava o passado mas com os olhos no futuro, o sonhador.

Itamar foi o estadista íntegro que soube escolher seus ministros e assessores, a quem dava o apoio imprescindível e a dignidade da sua palavra, o que em Minas vale ouro. Sem a força de seu caráter, o Real, que nos salvou daquele abismo, não teria nascido e vingado.

Minha esperança é que os brasileiros acordem no domingo bradando Libertas Quae Sera Tamen e corram para as urnas a fim de referendar o nome de um mineiro como ocupante do Palácio do Planalto.

Chega de divisões, ódios, mesquinharia, maldades, mentiras, ofensas, perdigotos e gritos. Que venham novamente tempos de cordialidade, mas em um patamar de integridade absoluta.

Minas nunca desistiu do Brasil, não será agora Aécio Neves, um mineiro, quem o fará.

Este artigo foi originalmente publicado no Blog do Noblat, em 24/10/2014. 

3 Comentários para “Não vamos desistir do Brasil”

  1. Sim chega de mesquinharias! O ódio nutrido contra a mineira Dilma chegará ao fim, domingo dia 26. Uma mulher nascida mineira e tornada brasileira, que nada deve em coragem ao Tiradentes e Frei Caneca, tão determinada como Juscelino e nacional como Itamar. Um coração valente que não pode ser preterido por um qualquer farinhriro carioca.
    Foi torturada, mandaram-na tomar no .., chamaram-na de leviana,mentirosa mas aos detratores o meu repeitoso e consciente voto.

  2. Tenham medo sim,
    Somos nós, os famintos,
    Os que dormem na calçadas frias,
    Os escravos dos ônibus negreiros,
    Os assalariados esmagados no trem,
    Os que na tua opinião,
    Não deviam ter nascido.

    Teu medo faz sentido,
    Em tua direção
    Vai as mães dos filhos mortos
    O pai dos filhos tortos
    Te devolverem todos os crimes
    Causados pelo descaso da sua consciência.

    Quem marcha em tua direção?

    Somos nós,
    os brasileiros
    Que nunca dormiram
    E os que estão acordando agora.

    Antes tarde do que nunca.

    E para aqueles que acharam que era nunca,
    agora é tarde.

    Sérgio Vaz,o poeta.

  3. Causa-me horror alguém nutrir admiração pelo Juscelino!

    A política econômica da ditadura foi, de certo modo, a continuação desenvolvimentista do que fez o Juscelino. Este resolveu abrir as pernas do País para a indústria automobilística em crise – hipotecando o futuro das nossas cidades através de um maldito incentivo à compra de carros de passeio, que o petismo manteve (reduzindo o IPI).

    Inflação e dívida externa crescendo com força total, assim como no Brasil dos milicos. Estes que, inspirados no Juscelino, resolveram priorizar em excesso as rodovias, com o sucateamento da malha ferroviária, que reduzia os custos dos fretes.

    A desesperança ganhou força com o Juscelino. Mas…

    A Maria Helena RR alimenta saudades daquela época, como se aquele fosse o tempo romântico da bossa-nova, do título na Suécia etc. “A taça do mundo é nossa” Triste País.

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