Made in Brazil

O Governo LuloDilma inovou: anúncios na TV e no Rádio estimulando o Brasil a gostar da Copa, a se entusiasmar com a competição, a torcer, a enfeitar as ruas e casas e a receber bem os convidados. Garanto que os vira-latas do tempo de Nelson Rodrigues não fariam melhor!

Apesar de encaFIFAda, torço pelo meu país e por seis pequeninos que moram em meu coração e que merecem assistir, como eu assisti em 58 e 70, o que é a rua explodir de alegria. E ouvir um brado de Gooool, que ecoa de norte a sul! É alegria inesquecível!

Tivemos sete anos para nos preparar para receber os torcedores. Sete anos! O mesmo tempo que Jacó serviu Labão, pai de Raquel, com resultado parecido. O que é Made in Brazil custa a ficar pronto e quando fica, não está inteiramente pronto. Como o turista logo perceberá ao desembarcar.

Assim mesmo, gostaria que os visitantes levassem daqui uma boa impressão. Dizem que ainda somos vira-latas, mas já não somos, infelizmente, pois cachorrinho mais amoroso e simpático não há. Acho é que fomos trocados por uma raça muito brava! Cuidado!

Com meus votos de Boas Vindas, pois, alinhavei estas mal traçadas linhas:

*Aqui no Rio, sinto muito, esqueceram cadeirantes, cegos, surdos. Nos estádios e nos ônibus. Não sei se foi só aqui… Também não repararam que devia haver informações em Braille onde isso é pertinente; assim como nos museus e igrejas audioguias para os deficientes visuais e, a pedido, visitas guiadas em várias linguagens de sinais.

*Outra triste curiosidade Made in Brazil: em países civilizados, mirantes acima do mar têm gradis para impedir fatalidades. Aqui, ontem, dois turistas caíram das pedras do Arpoador. Ali, naquela ponta, o mar é bravo e as pedras escorregadias. Mas a ninguém ocorreu um anteparo…

*O turista desavisado, ao ver o caos que é o nosso trânsito, aluga uma bicicleta. Mal sabe ele que nossas ciclovias, de repente, não mais que de repente, são interrompidas e que ele não pode ir, de uma ponta à outra de um bairro, na sua magrela. Nem se distrair dela…

*Nossas calçadas são um treino para corrida de obstáculos; achar um banheiro público é mais difícil que acertar na loteria; as embalagens, dos biscoitos aos medicamentos, são misteriosas; os sistemas – ou seja – a Internet, caem com uma frequência assombrosa; as ligações pelo celular, idem com estrelinhas.

*Procure sair com um saquinho para o lixinho que você vai criar: lixeiras existem, mas são muito distantes umas das outras e normalmente estão entupidas.

*Pontualidade não é uma característica brasileira. Não se fie nos horários dos ônibus.

*Mas a FIFA é suíça, não se esqueça.

*Não pegue o táxi que passa. Use apps e Taxi Ranks. O motorista pode não saber falar inglês, mas garanto que é mais simpático que o motorista parisiense.

De resto, o clima é agradável e nosso futebol imbatível! Divirta-se!

Este artigo foi originalmente publicado no Blog do Noblat, em 30/5/2014.

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