Legados da Copa e um W.O.

O primeiro legado da Copa: 64 anos depois repetiram-se as touradas de Madrid e a Espanha voltou para casa com seu revolucionário futebol de posse de bola enferrujado e humilhado.

Por coincidência, ao mesmo tempo, a dinastia dos Bourbon que reina na Espanha desde 1713 mudou de guarda: o rei Juan Carlos, artífice da transição democrática pós-franquismo, alquebrado pela saúde e desmoralizado por alguns escândalos e alguns safáris, cedeu o lugar ao filho Felipe 6º, uma cara mais nova que a do técnico Del Bosque e mais confiável que a do premiê Mariano Rajoy.

Esse foi o evento mais ruidoso e escandaloso dentro de campo. Fora do campo, onde hordas de turistas misturam a alegria natural de forasteiros que andam em grupos, produzem um carnaval temporão, cada um com a sua ginga própria e seu senso de humor particular.

Enquanto nós esperamos que a seleção de Felipão se solte um pouco mais, os olhos do País estão divididos entre o futebol e a política, pois afinal de contas quando as emoções do espetáculo do futebol se esvaírem, voltaremos à rotina da mediocridade técnica mas apaixonante do nosso Brasileirão e as especulações sobre o futuro do País.

No nosso contencioso em suspenso, estão a incapacidade de crescimento mais robusto e sustentável do país e a irresistível compulsão do governo de controlar tanto as variáveis econômicas como a opinião alheia.

Está também no contencioso o decreto 8.243, que cria uma hegemonia forçada e superposta à democracia representativa por conselhos habitados por “movimentos sociais”, que se chocam claramente com o conceito republicano de “um homem e um voto” e com a soberania do Legislativo e o princípio da separação e independência de Poderes consagrada em todas as democracias do mundo.

O partido que comanda a aliança que está no poder, abalado com a perda de consistência de sua candidata à reeleição nas pesquisas de intenção de voto, e indignado com a vaia que ela tomou no Itaquerão no jogo de abertura da Copa do Mundo, tentou orquestradamente jogar a culpa pela manifestação incivilizada pelo exagero dos palavrões nas costas de uma suposta “elite branca”, no que foi desmentida pelo seu mais representativo porta-voz na especialidade de puxar briga, o ministro Gilberto Carvalho.

E então a coordenação da campanha de Dilma reuniu-se, com Lula à frente, para estudar estratégias que possam reverter as tendências demonstradas pelo eleitorado ingrato, que não sabe reconhecer as benesses que o governo lhe propiciou. Além de Lula, participaram da reunião Ruy Falcão, o presidente do PT, o tesoureiro da campanha Edinho Silva, o ex-ministro Franklin Martins e o marqueteiro João Santana.

Nem a candidata nem o seu braço direito Giles Azevedo foram convidados para a reunião. Foi a primeira derrota por W.O nesta Copa.

Este artigo foi originalmente publicado no Blog do Noblat, em 20/6/2014. 

Um comentário para “Legados da Copa e um W.O.”

  1. WO é aplicado para a equipe que deveria comparecer ao jogo previamente marcado. No caso em questão, Dilma e seu braço quebrado não sabiam e não foram convidados. Levaram bola nas costas.
    Será que vai haver substituição aos quarenta do segundo tempo? Vai haver prorrogação?
    A elite branca, os coxinhas, mauricinhos e PIG que fiquem espertos, arrumem um craque para enfrentar o LULA.

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