Eu neto, tu netas, ele neta

Um dos verbos que mais tenho conjugado nos últimos sete meses é “netar” – e, para todos os que me conhecem, este é um fato muito óbvio. Afinal, meu maior prazer, há sete meses, é exatamente netar.

Minha filha me pergunta sempre: “E aí, paiê, você vem netar hoje?”

Tenho netado pelo menos três vezes por semana. Faço esforço para não ficar mais de três dias seguidos sem netar. Só houve uma única ocasião em que, infelizmente, fique cinco dias consecutivos sem netar. Foi um horror.

Mary reclama que tem netado pouco; os horários não coincidem, quando ela sai do trabalho Marina já está indo dormir. Sobram, para ela netar, apenas os fins de semana, e às vezes os fins de semana são corridos demais e nem no sábado e no domingo ela encontra espaço para netar.

Como eu não trabalho mais (a não ser nos meus dois sites e nos meus textos infindáveis, mas para isso não há horário fixo), às vezes me sinto, ao relatar para Mary como netei à tarde, como se estivesse contando notas de 50 na frente de mendigo.

Ontem, Mary teve oportunidade de netar. Adorou, é claro; ficou toda felicinha, e contou pra minha filha que adorou ter netado.

“Netar (v.i.). Desfrutar da companhia do neto (a); visitar o neto (a). Fazer companhia ao neto (a).”

O verbo é mais que perfeito – só há o detalhe de que ele não existe em dicionário algum.

Foi invenção do meu amigo Melchíades Cunha Júnior.

Logo que Marina nasceu, Melchíades me propôs o neologismo. Nem me lembro mais se foi via e-mail, ou em comentário no Facebook. Eu deveria ter copiado na hora, anotado, porque estou cansado, exausto de saber que verba volant, scripta manent – ou, em castiço português, se não anotou, dançou.

Não anotei na hora em que ele sugeriu o novo verbo, mas tudo bem. Passei a usá-lo imediatamente; minha filha o adotou como se ele sempre tivesse existido, Mary também. (No clichê abaixo, de autoria da Cláudia, cena de netação explícita.)

2013-10 - Marina dia 11 - P1100732

Este textinho bobo que nem todo avô é só uma saudação ao meu amigo Melchíades. Um agradecimento a ele por criar o verbo que, com a maior alegria, tenho conjugado nestes últimos meses.

16/10/2013

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