As Jennifers merecem mais que Barbra e Plummer?

As pessoas que fazem cinema nos Estados Unidos ficaram de pé para aplaudir as jovens Jennifer Lawrence e Jennifer Hudson, mas não fizeram o mesmo diante dos veneráveis Christopher Plummer e Barbra Streisand.

Fiquei intrigado com isso ao ver a 85ª cerimônia de entrega do Oscar.

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Uma das coisas que mais me chamam a atenção nas festas do Oscar são os momentos em que a platéia – diretores, atores, roteiristas, os técnicos de todas as especialidades, as pessoas que fazem o cinema americano – fica de pé para aplaudir alguém no palco. Pode parecer babaquice, cafonice, mas acho aqueles momentos emocionantes: toda uma comunidade fazendo o maior elogio possível a um colega.

Para quem está lá no palco, deve ser, sem dúvida, uma das maiores emoções da vida: ser alvo de uma standing ovation – a maior homenagem que se pode receber de seus pares.

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zzzzbarbraTá legal: Jennifer Hudson cantou com bela voz uma das canções de Dreamgirls, filme pelo qual ganhou o Oscar de coadjuvante – e, além disso, mostrou-se ao mundo com uns, sei lá, 30, talvez 40 quilos a menos do que quando fez o filme, em 2006.

E Jennifer Lawrence é de fato um fenômeno. Seu talento é descomunal: tem apenas 22 anos, mas já ganhou 43 prêmios – inclusive o Oscar de melhor atriz entregue na noite de ontem –, fora 43 outras indicações.

Então tá: as duas Jennifers merecem aplausos. Mas de pé? Merecem mais que Christopher Plummer, 83 anos de idade, 197 títulos de filmes e/ou séries de TV no currículo, 35 prêmios (inclusive um Oscar) e outras 33 indicações?

Mais que Barbra Streisand, 70 anos de idade, produtora de 23 filmes, atriz em 20, diretora de sete, 44 prêmios (inclusive dois Oscars) e outras 32 indicações – fora a belíssima carreira como cantora, os Grammies e os milhões de discos vendidos?

Sei não, sei não… Acho que a platéia do antigo Kodak Theater foi injusta.

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Quanto à premiação em si, não tenho opinião. Ainda não vi os filmes. Só acho que Steven Spielberg não deve ter ido pra casa frustrado. No mínimo, não deve ter ficado surpreso. Está mais do que vacinado. Nunca vou esquecer que A Cor Púrpura, de 1985, teve 11 indicações ao Oscar, e não levou nenhum.

25 de fevereiro de 2013

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