7 dias de novembro

Toda essa semana foi estranha. Não houve um dia em que notícias, declarações, jornais, blogs, opiniões, não me fizessem ficar irritada. Mesmo quando a notícia era positiva, ela vinha acompanhada de um detalhe abstruso, exasperante, estúpido.

Acho perfeitamente natural que os mensaleiros detidos tenham amigos muito injuriados com o resultado do mensalão. Se eu tivesse entre eles um amigo, também estaria amargurada com o sucedido.

O surpreendente não é a reação de tristeza. O surpreendente é não ver nenhum amigo defender o apenado com provas de que sua prisão é injusta. Dizer que isso foi perseguição, maldade contra o querido PT, vingança da elite contra o governo do operário, francamente, é o tipo da defesa burra.

E quando a defesa é nitidamente motivada pelo passado aventureiro do nosso terrorista número 1? Há senhoras que, francamente, não se pejam em demonstrar toda sua dor com a prisão do Dirceu… E se dizem feministas. Coitadinhas.

Certas perguntas não saem de minha cabeça:

*Assistimos ou não assistimos pela TV (um canal do Estado e outro privado) ao julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal?

*Vimos ou não vimos a total liberdade de expressão e ação dos meritíssimos juízes?

*Tivemos ou não até momentos de suspense, de mal estar, de péssimo gosto, mas sempre com o STF respeitando rigorosamente a Lei Maior?

*Acompanhamos ou não as defesas dos eminentes advogados dos atuais apenados?

*Algum deles teve seu advogado impedido de defendê-lo?

*Foi cometida alguma injustiça?

*Você, como eu, acha que aqueles advogados fizeram todo o possível para bem defender seus clientes, mas esbarraram na muralha das provas inequívocas?

*Ou acha que eles perderam por incompetência ou para humilhar o PT?

*Já disse e repito: tenho a maior dificuldade em compreender a lógica da dosimetria das penas, mas estou absolutamente convencida que aquele time de advogados, se alguma injustiça tivesse sido cometida nessas contas, não haveria Joaquim Barbosa que os fizesse calar.

Como, então, concordar com a tese do julgamento injusto? O STF não merece isso.

Já o mesmo não consigo dizer do ‘gran finale’ das sentenças. Aquela viagem de jatinho para Brasília, com escala em Belo Horizonte, os apenados algemados, justo no dia da Proclamação da República, tudo meio às pressas, sem sentido, sem explicação, aquilo não honrou o STF.

Ficou feio.

Tão feio quanto o deboche, a ofensa, o tapa em nossa cara dado por aquela figura típica do Planalto Central, o tal Delúbio. Prisioneiro político, o Delúbio?

Esse homem merecia uma tarde, uma tarde apenas, em Cuba. Podia ser diante do Paredón ou em Guantánamo. Tanto faz. Qualquer das duas situações fariam o paspalhão saber o que é ser prisioneiro político!

Este artigo foi originalmente publicado no Blog do Noblat, em 25/11/2013. 

2 Comentários para “7 dias de novembro”

  1. Delúbio não é preso político, nem Dirceu, nem Genoino. As algemas assim o demonstraram. A viagem para BH e Brasília fazem parte do espetáculo. Julgamento e execução fazem o espetáculo.

    JUSTIÇA que a Rainha Nossa Senhora manda fazer a este infame Réu Joaquim José da Silva Xavier pelo horroroso crime de rebelião e alta traição de que se constituiu chefe, e cabeça na Capitania de Minas Gerais, com a mais escandalosa temeridade contra a Real Soberana e Suprema Autoridade da mesma Senhora, que Deus guarde.
    MANDA que com baraço e pregão seja levado pelas ruas públicas desta Cidade ao lugar da forca e nela morra morte natural para sempre e que separada a cabeça do corpo seja levada a Vila Rica, donde será conservada em poste alto junto ao lugar da sua habitação, até que o tempo a consuma; que seu corpo seja dividido em quartos e pregados em iguais postes pela estrada de Minas nos lugares mais públicos, principalmente no da Varginha e Sebollas; que a casa da sua habitação seja arrasada, e salgada e no meio de suas ruínas levantado um padrão em que se conserve para a posteridade a memória de tão abominável Réu, e delito e que ficando infame para seus filhos, e netos lhe sejam confiscados seus bens para a Coroa e Câmara Real. Rio de Janeiro, 21 de abril de 1792, Eu, o desembargador Francisco Luiz Álvares da Rocha, Escrivão da Comissão que o escrevi. Sebão. Xer. de Vaslos. Cout.º

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