Sempre houve, sempre haverá

Nascer, crescer, viver e morrer, isso sempre houve e sempre haverá. O essencial sempre existiu, desde que o homem iniciou sua trajetória pelo planeta. A união dos dois sexos, o prazer que se busca intuitivamente e resulta em filhos e criou a família. O inimigo que surge para tentar roubar o alimento conquistado e a reação natural, defensiva, para conservar, no braço ou no tacape, o bem da comunidade.

A evolução, da borduna à bomba atômica, foi acompanhada por avanços claros nas relações humanas. O mundo não piorou, ao contrário, do que muitos pensam.

A amizade, o amor, a honestidade, a dignidade , o afeto, o gosto pelo trabalho, pelo saber e pela criação não são coisas novas. Como são mais antigas do que as pedras vulcânicas a maldade, a violência, o roubo, o descaramento, o egoísmo, a insensatez e o autoritarismo.

Aquele deus vingativo do velho testamento foi substituído por outro sermão, voltado para a busca dos ideais de justiça, fraternidade e paz. Não sei quando o oriente e o ocidente vão se entender em termos políticos, mas o que vemos nos filmes e nos livros, o que a arte e a vida nos demonstram é que nada é mais parecido com as pessoas e as cidades e vilas desse lado do mundo do que as de qualquer lugarejo das bandas do sol nascente.

O homem é um só. As notícias do mundo , que chegam como relâmpagos, trazendo em imagens e palavras o sofrimento de tantos e a crueldade de muitos, são de assustar. Mas se olharmos para a História veremos que não há nada de novo em termos de brutalidade. Os governantes do mundo e suas guerras semearam atrocidades que um homem sensato não imagina serem possíveis. E elas estão nos relatos dos escritores e historiadores. Mas é cômodo olhar o passado não tendo sofrido suas consequências.

Fico pensando nos coronéis de Gabriela, Jorge Amado sempre brasileiro e bom nos livros e na tevê. O mandonismo, o machismo, será que eles desapareceram?

Certamente que não. Basta olhar para as sinistras figuras do Senado. Para os empresários corruptores, deslavados ladrões do dinheiro de todos nós, que impedem que o brasileiro tenha a escola, o trabalho e a saúde que merece.

Jack Palance, em filme de Godard, dizia que ao ouvir falar em cultura sacava seu talão de cheques. Ao contrário, eu, um sujeito pacífico e moderado, quando fico sabendo de certas coisas da política do país, penso em sacar a metralhadora que não tenho e nunca terei.

Não sou homem de partido, nesse tempo de homens partidos ( viva Drummond). Sei que eles, os partidos, são necessários para a democracia. Mas os nossos, me perdoem, são uma bosta.

Esta crônica foi originalmente publicada no Estado de Minas, em julho de 2012.

2 Comentários para “Sempre houve, sempre haverá”

  1. Dá-lhe Brant. Partidos bostas mesmo. As figuras a que o texto se refere sinistras ,”figuras do Senado,empresários corruptores, deslavados ladrões do dinheiro de todos nós, que impedem que o brasileiro tenha a escola, o trabalho e a saúde que merece” se resumem no Estado. Uma reforma política é necesária nos braços do povo!

  2. Uma frase de um conhecido nazista (não me lembro se foi o Himmler): “quando ouço falar em cultura, sinto vontade de pegar meu revólver”.

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