República sindical

Pouco importa quando e como Carlos Lupi será desapeado do Ministério do Trabalho. Muito menos quem vai sucedê-lo. Até porque está mais do que provado que a pasta, mantida no pior dos moldes desde 2003, mais prejudica do que ajuda o país.

Já no primeiro mandato, Lula transformou o Ministério em financiador econômico e eleitoral do sindicalismo. Ora nas mãos da CUT, ora nas da Força Sindical. O primeiro ministro do Trabalho de Lula, Jacques Wagner (PT), hoje governador da Bahia, foi presidente do Sindiquímica e fundador da CUT. Seu sucessor, o também petista Ricardo Berzoini, veio do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. Depois foi a vez de Luiz Marinho, ex-presidente da CUT e atual prefeito de São Bernardo do Campo.

Nada contra sindicalistas. O próprio Lula construiu sua incontestável liderança no berço sindical. Tudo contra os métodos.

Assim como fez em outras áreas, Lula assentou no Trabalho, e com salários generosos, gente sem qualquer experiência, que passou a tocar o Estado como se uma organização entre amigos fosse. Além da milionária conta dos impostos sindicais, briga-se pelos cargos de livre nomeação, loteados ora pelo PT da CUT, ora pelo PDT da Força.

O fogo cruzado entre os presidentes do PT, Rui Falcão, e da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), foi revelador. Desmascarou de vez o tamanho do aparelhamento. Falcão criticou a “ocupação partidarizada” das delegacias do Trabalho. Paulinho da Força, sem papas na língua, acusou o PT de montar uma “república de sindicalistas na Esplanada”.

Uma disputa obscena entre quem loteou mais e melhor. Quem abusou mais do Estado.

Lupi, dono do PDT, ligado à Força, já passeara por diferentes searas antes de aproximar-se da lucrativa corrente sindical: amigo de Brizola, foi suplente do senador Saturnino Braga, secretário do prefeito Marcello Alencar e do governador Anthony Garotinho. Vai dizer sempre que não pecou, que foi vítima de fogo amigo.

Ao que parece, os mui amigos colocaram mesmo rastilhos de pólvora pura. Mas que não estourariam caso Lupi tivesse currículo ao invés de folha corrida. Muito menos teriam explodido no colo da presidente Dilma Rousseff, que, entre Lupi e a ética, preferiu Lupi.

Pior: o Planalto, entidade que tem vida e voz própria, fez saber que Dilma ficou “contrariada” com a recomendação da Comissão de Ética da Presidência de exonerar Lupi. Ofendido, o governo até ameaça mudanças no seio do colegiado.

Em favor da ética, mudez total. Dilma não deu um pio.

As armas da república de sindicalistas e de Lupi devem ser ogivas atômicas.

Este artigo foi publicado no Blog do Noblat em 4/12/2011.

 

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