“Deus existe!”

Hoje, domingo, fui, como faço todos os dias, beber alguma coisa em um determinado boteco no Guarujá. É um boteco do qual gosto muito, ao contrário de minha mulher, que não vê ali atração alguma (acho que as mulheres não costumam ver nada de bom nos botecos em que seus maridos bebem, e eventualmente ficam bêbados). Existe há uns 50 anos, fica na esquina de Mário Ribeiro com Petrópolis, chama-se Pérola do Atlântico (o Guarujá tem também esse apelido, e sabe-se lá – eu não sei – quem o usou primeiro).

Tem mesas na calçada, mas também um toldo, o que obriga os fumantes a ocupar umas mesinhas junto à rua, descobertas.

Levava comigo a Ilustrada, da Folha. E, lendo as matérias, tomei um susto ao ver um anúncio de página inteira em que estava uma garota excepcionalmente linda. Vestia um biquíni, tinha um dos joelhos (o direito), apoiado em uma cadeira de praia, ou outra cadeira qualquer. Maravilhosa, dava de dez a zero em qualquer top model que vi recentemente.

Não me contive e levei o jornal até o balcão para mostrá-lo ao Baixinho, o barman que costuma me atender. “Isso é que é mulher”, disse a ele, essa ênfase certamente impulsionada pela caipirinha que já havia bebido. O Baixinho arregalou os olhos e abriu a boca. Um outro freguês, que estava ao meu lado no balcão, olhou também e disse alguma coisa sobre umas revistas que tinha na casa dele e que, de vez em quando, a mulher descobria.

Bem, voltei à minha mesa. Chegaram ali três senhores que perguntaram se a mesa ao lado estava desocupada (o espaço entre as mesas é pequeno). Sim, respondi, e eles se sentaram e pediram cervejas. Continuei a ler a Ilustrada.

Em um instante de distração, vi que uma garota passava por nós, era bonita, e tinha um traseiro notável e ondulante.

“Deus existe!”, disse o senhor mais próximo a mim na mesa ao lado, olhos cravados na garota. Sorri, mas ele não se conteve e dirigiu-se a mim, olhos ainda naquele traseiro.

“O senhor não acredita que Deus existe?”

“Sim”, respondi.

E então tive um estalo, ou seja isso o que quer que seja.

“E tenho uma prova bem aqui”, acrescentei.

Abri a Ilustrada naquela página da modelo sensacional e a escancarei para ele.

Não disse nada. Pegou o jornal, abriu os braços para melhor expor a página aos seus dois companheiros. Sentenciou:

“Deus existe.”

11 de dezembro de 2011

 

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