Partidos políticos ou partidos de políticos?

É impossível negar a qualquer um dos novos vereadores, ou reeleitos, a intenção de trabalhar por Americana, independentemente de posicionamentos partidários. A luta de todos é comum, e a menos de uma atitude individualista no futuro, devemos e podemos acreditar nisso.

Entretanto, não foi uma luta comunitária a recente eleição da mesa da Câmara Municipal. Aqui, tivemos essencialmente uma luta política, em seu melhor sentido e de sua própria natureza, onde os cargos representam os partidos, e deveriam representar o resultado das urnas de 15 de novembro.

Temos assistido em nossa história política recente, à divisão dos cargos da mesa dos poderes legislativos segundo a norma (não escrita, é verdade, mas nem por isso menos impositiva), de proporcionalidade de representação entre os diversos partidos. Tivemos exemplos dignificantes da ética política, quando assistimos a recusas partidárias de alianças espúrias, que visavam apenas a alterar essa representatividade.

002Lembremo-nos que, por ocasião da eleição da mesa da Câmara dos Deputados, há dois anos, disputada então pelo deputado Nelson Marchezan, recusou o PMDB uma composição com a ala dissidente do PDS, que eventualmente lhe daria a maioria, em benefício dos escrúpulos pessoais e partidários, e do próprio prestígio da classe.

Os argumentos existem para legitimar as posições assumidas. E argumentos que justifiquem o resultado da luta travada na composição da mesa de Americana existem bastantes. O que é fato inconteste, no entanto, é que essa eleição não obedeceu a entendimentos a nível de partidos. Ou, por outra, assistimos a entendimentos de partidos com dissidentes de outro partido: sujeitos diferentes para uma equação que exigia identidade de interlocutores.

Estabelecidos interlocutores diferentes (partidos de um lado e dissidência de outro), os resultados poderiam ser qualquer um, menos aquele esperado pela boa norma de convivência entre partidos e entre políticos. Se a premissa é errada, a conclusão correta é impossível.

Os entreveros pessoais se recompõem. O entendimento entre os políticos é da própria natureza destes, e em breve o incidente pertencerá ao passado, talvez até sem mágoas pessoais. A história, entretanto, é implacável, e terá sempre registrada em seus anais as composições feitas, e que demonstraram o ânimo de cada um dos políticos em respeitar ou não normas de convivência partidária.

Este jornal já noticiou iniciativas de ambos os lados, recompondo posições pessoais. Não pretendemos condenar ou aplaudir as atitudes de qualquer dos grupos contendores. Impressiona, no entanto, a forma como essas alianças ocorreram, com um senso de oportunidade que sobrepujou o senso de fidelidade e princípios partidários internos ou entre partidos.

Parece-nos, sem dúvida, que houve vencedores e derrotados numa luta essencialmente política. Mas tenho para mim que a vitória deve ter trazido um leve gosto amargo na boca.

A historinha por trás do texto

Conta  A.C. Malufe, o Malufinho: “Foi publicado no dia 8 de fevereiro de 1983,  – 27 anos passados – no jornal “O Liberal” de Americana…. Montoro recém eleito governador, todo mundo entusiasmado! Eu já era velhinho, tinha 32 anos!   E 35 dias depois, em 15 de março, o Macris foi eleito 1o. Secretario da Assembléia, e então me mudei para São Paulo no dia seguinte,16, para ser seu chefe de gabinete. Bons tempos.” 

2 Comentários para “Partidos políticos ou partidos de políticos?”

  1. AC = meu Tio = meu Padrinho = meu Idolo (depois do meu pai)e meu Professor….Continuo aprendendo muito com vc e espero que isso perdure por muitos anos ainda.
    Parabéns pelo Artigo e pela Estreia aqui no site…
    Sucesso sempre.
    GUs

  2. Muitíssimo interessante como permanece atual a análise feita (com inteligência) há quase 3 décadas. Passou da hora de virar tudo isso de pontacabeça.

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