O Irã tem muito a ensinar ao pessoal da Confecom

A imprensa iraniana foi proibida de publicar fotos do grande aiatolá Hossein Ali Montazeri, nos dias que se seguiram à sua morte – ele morreu domingo, dia 20 de dezembro. Um dos últimos jornais de oposição ao governo ainda em circulação, o Andishe-no, foi fechado na segunda-feira, 21. Jornalistas estrangeiros foram proibidos de cobrir as cerimônias fúnebres na cidade sagrada de Qom. As redes de celulares e de internet foram interrompidas e os sinais de TV do exterior foram tirados do ar.

Montazeri é um dos principais nomes da história recente do Irã; foi representante oficial do aiatolá Khomeini quando este estava exilado na Europa, durante o governo do xá Reza Pahlavi, e foi uma das figuras fundamentais na Revolução Islâmica que derrubou o regime do xá, em 1979. Mas – como havia acontecido com Trotsky logo após a implantação do regime comunista na Rússia em 1917 – caiu em desgraça. Passou a criticar os atos arbitrários do novo regime; afirmou que o sucessor de Khomeini, o atual líder supremo do Irã, Ali Khameini, não tinha credenciais para assumir tal posto. Era crítico ferrenho do radical Mahmoud Ahmadinejad, reeleito em 2009 em eleições fraudadas que provocaram a maior onda de protestos ocorrida no Irã desde exatamente a derrubada do regime do xá.

Jornais proibidos de publicar fotos do revolucionário de primeira hora que, na visão do ditador de plantão e seus áulicos, virou contra-revolucionário. Mais um jornal de oposição fechado. Jornalistas estrangeiros proibidos de trabalhar. Redes de celulares e de internet interrompidas, sinais de TV do exterior tirados do ar. Nem mesmo os sindicalistas e aspirantes a boquinhas e bocarras em conselhos federais de ou regionais para “observação de conteúdos midiáticos” reunidos na Confecom (Conferência Nacional de Comunicação) em Brasília dias antes da morte de Montazeri tiveram a coragem de propor tanto.

Ainda tem muito a aprender com o regime de Khameini e Ahmadinejad, esse pessoal da Confecom.  

Até porque este mundo moderno é bem mais complicado do que o que existia em Cuba quando Fidel fechou todos os jornais, à exceção do Granma, o jornal oficial do Partido Comunista. Não bastariam hoje uns 200 conselhos para controlar o que dizem os grandes jornais, as grandes redes de TV, aquilo que eles chamam de a grande mídia golpista, reacionária, direitista. Teria que haver 200 mil conselhos para controlar o que dizem na internet as pessoas que ousam não pensar como manda o figurino petralha. E essas pessoas, infelizmente para o pessoal da Confecom, ainda são dezenas e dezenass de milhares.

E seria bom que eles prestassem bastante atenção ao que está acontecendo no Irã. Lá, mesmo com todas as medidas para defender a Revolução Islâmica dos contra-revolucionários, para controlar os “conteúdos midiáticos”, mesmo depois da prisão e do assassinato de opositores do regime, dezenas e dezenas de milhares de pessoas estão nas ruas protestando contra o governo ditatorial que a diplomacia canhestra de Lula, Amorim e Marco Aurélio Top-Top Garcia apóiam com todo o vigor.

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