O gado e a mula

O gado que foi para a frente do Masp no domingo, em São Paulo, capitaneado pelo Malafaia e o Inominável inelegível, cometeu um erro infantil: em vez de adular o presidente da Câmara, Hugo Motta — de quem dependem para levar adiante o projeto de impunidade aos golpistas de 8/1 —, desceu o cacete nele.  Continue lendo “O gado e a mula”

Trump não entende nada, nadica, de coisa alguma

No sábado, 5 de abril, mesmo dia em que milhares e milhares de americanos foram às ruas de mais de mil cidades protestar contra Donald Trump, dizer para ele “tirar as mãos dos estudantes, da pesquisa, das escolas, dos direitos, do planeta”, dois artigos publicados nos jornais brasileiros mostraram, com uma clareza fantástica, admirável, como toda a visão que o sujeito tem da economia dos Estados Unidos – e do mundo – é totalmente, absolutamente equivocada. Continue lendo “Trump não entende nada, nadica, de coisa alguma”

O Lula liberal e o antipatriota Bolsonaro

Enquanto a economia mundial entrava em colapso com o tarifaço de Donald Trump, que, em um misto de insanidade, maldade e capricho, enterrou o modelo de produção global que consolidou os Estados Unidos como a maior potência do planeta, a sintonia política do Brasil era outra. Ou melhor, mantinha-se a mesma que há tempos expõe o digladio barato entre pólos raivosos, impondo a escolha entre o ruim e o menos pior. Continue lendo “O Lula liberal e o antipatriota Bolsonaro”

Nas últimas

O dia que o Trump chamou de Libertação, ocorrido esta semana com o tarifaço, é na verdade o Dia da Perdição. Isso para mim, que escrevo estas mal traçadas sem nenhuma esperança de influir no resultado do jogo. Já para a revista britânica The Economist em sua última edição, saída hoje, é simplesmente o Dia da Ruína.  Continue lendo “Nas últimas”

As Arcadas e o dever de preservar o pluralismo

A Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, com sua história bicentenária, sempre se apresentou como bastião da liberdade, espaço do pensamento crítico e da convivência entre diferentes ideias. Foi ali que se redigiram cartas em defesa do Estado Democrático de Direito e ecoaram vozes contra o arbítrio em diferentes momentos da vida nacional. As Arcadas, como são conhecidas, cultivaram ao longo do tempo uma reputação de pluralismo e civilidade intelectual. Continue lendo “As Arcadas e o dever de preservar o pluralismo”

O bom combate

Algo me impressiona no Inominável. É sua capacidade de enterrar-se sozinho, sem necessidade de perguntas, quando se põe a falar do plano golpista, que ele chama de cogitações. O pântano que ele mesmo criou é seu atoleiro e não aparece ninguém para impedi-lo de afundar cada vez mais na fossa movediça em que tenta nadar de braçada. 

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O impasse provocado por Bolsonaro

A direita pode se dividir em diversas candidaturas na próxima disputa presidencial. Não que lhe falte alguém com potencial de aglutinar o seu campo e de dialogar com o eleitorado do centro. Todas as análises convergem para o nome  de Tarcísio de Freitas como o único com esse poder de aglutinação e de ampliação. Essa possibilidade esbarra na obstinação  de Jair Bolsonaro de repetir a estratégia de Lula de 2018, mantendo sua candidatura até a undécima hora, quando o Tribunal Superior Eleitoral negar o seu registro. Continue lendo “O impasse provocado por Bolsonaro”

O golpe vitorioso de Maduro

Diz-se que o Brasil é um país sem memória, o que facilita a reincidência de eventos danosos na política e na economia. Populismo, tentativa de golpe, corrupção e arrepios fiscais estão aí para provar a tese. Mas a amnésia está longe de ser um fenômeno verde-amarelo – é global. A ponto de o mundo aceitar governos déspotas como o da Hungria de Viktor Orbán e da Turquia de Tayyip Erdoğan, ou a tímida reação à tomada da Criméia por Vladimir Putin, em 2014, ensaio para a absurda invasão da Ucrânia. Continue lendo “O golpe vitorioso de Maduro”

Viajando

Mudando de assunto, uma vez fiz com meu amigo Fernando Portela e outros jornalistas convidados, entre eles o José Carlos Cafundó, uma viagem à Itália a convite da Fiat para conhecermos a fábrica mais moderna da montadora, localizada em Malfi, uma região de campos verdes sem fim, a caminho do sul italiano.  Continue lendo “Viajando”

Hipóteses

“Discutir hipótese não é crime”, define o jurista Inelegível, referindo-se à minuta golpista que apresentou aos seus ministros militares, no começo de dezembro de 2022, após chorar copiosamente a derrota eleitoral por um mês inteiro no banheiro do Palácio da Alvorada.  Continue lendo “Hipóteses”

Unanimidade

Sem nenhum voto contrário, a primeira turma do STF tornou réus o Inelegível e mais os sete comparsas que compõem o “núcleo crucial” do golpe tramado no Palácio do Planalto contra a posse do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, e resultou na depredação da Praça dos Três Poderes oito dias após sua posse, com o fim de trazer o Exército e seus tanques para a empreitada golpista. 

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A mão pesada do STF

O 8 de Janeiro não foi um simples ato de vandalismo. Tudo indica que fez parte de um plano orquestrado, no qual a invasão das sedes dos três Poderes buscava instaurar um clima de caos que justificasse uma intervenção das Forças Armadas. A necessidade de punir os envolvidos não está em debate — o que se exige é que isso ocorra com razoabilidade, proporcionalidade das penas, individualização das condutas e pleno respeito ao direito de defesa. Continue lendo “A mão pesada do STF”

Nas barras do Tribunal

Tentativas de golpe de estado e de abolição violenta do estado democrático de direito são dois crimes diferentes. O primeiro refere-se à derrubada de um governo legitimamente constituído; o segundo, aos atos de impedir ou comprometer o funcionamento dos três Poderes da República mediante violência. Continue lendo “Nas barras do Tribunal”