21. Escuridão e diarréia
Não tivesse nascido aquele deus e muita coisa desagradável não teria acontecido. Continue lendo “garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 21”

Por Sérgio Vaz e Amigos
21. Escuridão e diarréia
Não tivesse nascido aquele deus e muita coisa desagradável não teria acontecido. Continue lendo “garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 21”
20. Festas
No final do ano, outubro ou novembro, chegou ao colégio um minúsculo grupo arisco e sorridente de menininhos de cinco anos. Sempiternas divindades! Cinco anos! De que orfanato teriam sobrado? Que freira teve que separá-los, escolhendo por este ou aquele critério, aqueles que deveriam alojar-se no meio daquela coleção da zoologia humana, ratos, cães, chacais? Continue lendo “garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 20”
19. Retalhos
Há um bando aflito de pequenas lembranças me incomodando, exigindo registro. São pequeninas garças inquietas, inofensivas, apagadas. Batem-se dentro da gaiola da minha memória e, se eu as solto, elas partem numa vertigem. Continue lendo “garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 19”
18. Impressões de um mundo distante
Sempre me tenho perguntado sobre meu aprendizado e minhas reações, na época, com relação aos problemas sexuais. Sei bem que a situação que presenciei era caótica, anormal e densa. Mas isto eu sei por outros caminhos, leitura, filmes, documentos, deduções. Me pergunto, pois, sobre o que eu já sabia, o que vi, o que aprendi ali dentro. Continue lendo “garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 18”
17. Dor de ouvido e cegueira noturna

Quantas vezes entrou ali dentro a figura branda de um médico de mãos caridosas? Não me lembro de uma. Uma enfermeira? Nenhuma. Um farmacêutico? Nunca. Continue lendo “garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 17”
16. A igreja
Não devia ser muito grande nem muito rica. Mas forçosamente haveria algum dourado, alguma flor, alguma vela acesa ou luminária pendente de um longo fio, algum vidro colorido, ficava bonito. Continue lendo “garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 16”
15. Jorge de Souza Félix
É muito estranho lembrar.
Surgiram, no começo dessa minha tentativa de penetrar nos labirintos de minha memória, as imagens de garças e de abutres. Garças seriam pálidas lembranças de fatos agradáveis; abutres, qualquer cena mais assustadora. Nalguns momentos parece que eles se misturam. Continue lendo “garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 15”
14. Sereias, caminhões, a felicidade da criança abrange mais de um capítulo
É reconfortante perceber que minhas perdidas alegrias ultrapassam um capítulo. Pois, o que vier após as lembranças dessas manhãs de brincadeiras, mais parece uma noite de pesadelos. Continue lendo “garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 14”
13. Joaninhas, brincadeiras, diversões, raios de luz nunca apagados
Dalton Trevisan, no conto O Espião, escreve que aquelas meninas nunca sorriam. Mentira! Acho que é mentira! A alma da criança não é uma corda eternamente esticada. Há de haver, aqui e ali, longe da palmatória e logo depois da comida, momentos fugazes em que a canção suba, o sorriso brote, o brinquedo distraia. Continue lendo “garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 13”
12. Dois inspetores e um padre

É preciso dar entrada em cena a algumas figuras importantes nesta tapeçaria quase uma renda. Parece que os fios ficam soltos, sem eles. Ou é como se, a partir de agora, eu enfiasse agulhas em pontos abertos, alinhavando brechas, remendando buracos. Continue lendo “garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 12”
11. Dona Leca e dona Clotilde
Tive, no decorrer de minha estada naquele Colégio, duas professoras. Qual veio antes e qual veio depois? Mistério. Neblina dentro de mim. Às vezes me parece que primeiro foi dona Clotilde, depois, Dona Leca. Continue lendo “garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 11”
Minha amiga perguntou, ao telefone. Vai sair? Com que roupa? Duas peças, respondi. Ela disse que uma blusinha leve e uma saia iam bem. Desliguei. Tinha acabado de me pentear e maquiar. Estava nua. Coloquei o vestido e peguei a bolsa. Duas peças. Continue lendo “Conto”
10. As cartas
Campo do Meio, tanto de tanto.
Mamãe, ou
Titia, ou
Queridos pais: Continue lendo “garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 10”
Logo que Carlos saiu, Laura sentou no sofá, bem à minha frente, e cruzou as pernas. A saia não era curta, mas, do jeito que ela arrumou, subiu à metade das coxas. Continue lendo “Conto”
9. Os purgantes
Há um aluno, negro e esbelto como estátua africana, chamado Abraim. Abraim ficou na minha memória por dois motivos. Recebia muitos bagulhos. Em qualquer remessa, ouvia-se o nome dele e ele abria o pacote diante da assistência admirada, príncipe do Congo exibindo despojos de guerra após uma vitória. Continue lendo “garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 9”