
Todo o cientista é um cineasta frustrado. Sobretudo os físicos do CERN que andam agora a fazer a repérage de Deus. O cinema também não se cansa de O procurar. Continue lendo “A impotência de Deus”
Hitler sabia dançar
Posso imaginar um reflexivo Passos Coelho a passear numa doce alameda do seu jardim beneditino. E talvez Cavaco tenha um momento de paz entre os canteiros do jardim de buxo de Belém. O poder é solitário, ia jurar. Continue lendo “Hitler sabia dançar”
A linha do horizonte
O excesso de teoria enjoa e mata. Não gosto da escrita sobre cinema que pareça um peru emproado. Prefiro o peru bêbado. Continue lendo “A linha do horizonte”
A vida tem excesso de imaginação
A realidade inspira a arte. Os excessos de realidade bloqueiam-na. Hoje, a implacável realidade, uma equívoca bandeira, a baleia do desemprego, constrangem a criatividade. Livros e filmes nascem de pequenas pinceladas de realidade, não de uma realidade ciclónica que os afogue. Continue lendo “A vida tem excesso de imaginação”
A multidão unânime
Não existe esse troço de melhor filme de todos os tempos
Cidadão Kane é o melhor filme jamais feito. Durante meio século, essa verdade foi martelada na nossa cabeça. Recentemente, surgiu uma lista, vinda da Inglaterra, que subvertia essa verdade meio-secular: Um Corpo que Cai, sim, é o melhor filme que jamais foi feito. Continue lendo “Não existe esse troço de melhor filme de todos os tempos”
A luva branca
Usava luvas. E, filho de mãe de origem francesa, uma desiludida bengala aristocrática. Escrevia tão bem como se vestia. Uma elegância céptica em cada frase. Um elaborado ritmo descritivo que sugere acção e intriga onde acção e intriga quase não existem. É preciso talento. E combinar bem tumultuosos substantivos com discretos adjectivos. Continue lendo “A luva branca”
Três balas e uma laranja
Enterremos hoje os nossos sonhos como ontem Michael Corleone enterrou os dele. Foi no primeiro, o mais perfeito The Godfather. Don Vito Corleone já fora baleado antes. Ouvira-se o barulho seco dos tiros e o Padrinho dançara hesitante, um pé a fugir ao outro, o vulto patriarcal a tombar sobre uma banca da fruta e legumes. Duas, talvez três balas no corpo, e uma laranja a rolar no cansado alcatrão. Continue lendo “Três balas e uma laranja”
“Do you ever read the books you burn?”
A pergunta é feita por uma das duas personagens interpretadas por Julie Christie, a musa, a deusa, ao protagonista da história, o bombeiro-queimador de livros feito por Oskar Werner, em seu segundo filme sob a batuta de François Truffaut, apenas quatro anos após Jules et Jim. Continue lendo ““Do you ever read the books you burn?””
Começa sem mim
Nenhuma janela é indiscreta. Há janelas em todos os filmes de Hitchcock, mas foi na janela das traseiras que ele filmou a sua melhor obra. A janela das traseiras dá para as traseiras do mundo e é pelas traseiras que o mundo se deixa filmar. Continue lendo “Começa sem mim”
Ninguém é obrigado a gostar de um filme
Ninguém é obrigado a gostar de um filme. Por melhor, mais badalado, mais endeusado que ele seja.
Isso deveria ser um artigo na Declaração Internacional dos Direitos do Homem. Continue lendo “Ninguém é obrigado a gostar de um filme”
O fim do mundo
O fim do mundo, sim. O começo do mundo, o big bang ou outra hipótese mais mítica, pouco me interessam. Mesmo a ideia de um paraíso cheio de maçãs, uma nudez sem história nem pecado, e uma serpente a insinuar-se em conversas melosas, não me farão levantar o rabo da cadeira. Continue lendo “O fim do mundo”
O pesadelo de um anjo azul
Judeu de Berlim, a Alemanha era a sua pátria. O teatro, com Max Rheinhardt, e depois os estúdios de cinema da UFA, eram a sua casa. Kurt Gerron, na Guerra e nas Artes, mereceu medalhas. Continue lendo “O pesadelo de um anjo azul”
Desafio imigrante em filme: “A Fronteira”
It’s coming soon to a theater near you.
And if I can convince you like I have been convinced, it’s a movie we all need to see to better understand our surroundings. I can hardly wait. Continue lendo “Desafio imigrante em filme: “A Fronteira””
O chimpanzé da minha rua
Estive na mansão de Hugh Heffner. Em Beverly Hills, colinas e floresta à volta, tocava-se jazz, playmates vestidinhas, sauna escavada na rocha, um jardim zoológico de araras, mirrados macacos, coelhos e suponho que coelhinhas, uns despardalados pink flamingos. Continue lendo “O chimpanzé da minha rua”







