A esquerda e o Prêmio Nobel da Paz

A escolha de María Corina Machado para o Nobel da Paz de 2025 tem um grande significado. Cassada, perseguida e banida da vida política pelo regime de Nicolás Maduro, a líder venezuelana representa a persistência da luta democrática em condições extremas. Sua indicação rompeu o silêncio internacional em torno da repressão na Venezuela — um silêncio muitas vezes alimentado por alianças ideológicas e conveniências diplomáticas. Continue lendo “A esquerda e o Prêmio Nobel da Paz”

Paz?

Paz sem garantias e assinatura das partes em conflito não é paz. É um arranjo para dar a aparência de cessar fogo, que pode acabar a qualquer momento ou desarranjo entre as partes.  Continue lendo “Paz?”

O voto dos rejeitores

Divulgada na semana passada, a 18ª rodada da pesquisa Genial/Quaest coroou um período de boas notícias para o governo. Apontou a recuperação da popularidade do presidente Lula e a consolidação de sua vantagem frente a qualquer um dos pré-candidatos à Presidência da República. Números ainda mais significativos vieram em outra coluna pouco badalada: a da rejeição. Lula foi o único entre os nove postulantes que reduziu o percentual dos eleitores que o conhecem e não votariam nele. Continue lendo “O voto dos rejeitores”

Oriente Médio: uma nova chance para a paz

Há 30 anos, a paz batia à porta de israelenses e palestinos com a conclusão do Acordo de Oslo, fruto de negociações conduzidas secretamente na Noruega. Para a história, ficou a imagem do aperto de mão entre Yasser Arafat, líder da Organização para a Libertação da Palestina, e Yitzhak Rabin, primeiro-ministro de Israel, nos jardins da Casa Branca, sob o olhar de Bill Clinton. Os dois seriam agraciados com o Prêmio Nobel da Paz de 1994 como símbolos de uma reconciliação. Continue lendo “Oriente Médio: uma nova chance para a paz”

Amores

Depois do namorico telefônico de meia hora de Mr. Trump e Luiz Inácio, com juras de amor de parte a parte e promessas de se encontrarem em algum lugar do mundo para um tête-a-tête, não sei se vai ficar bolsonarista assobiando contente por aqui ou nos States. Continue lendo “Amores”

Água não vira vinho

Água não vira vinho. Portanto, embora a Câmara dos Deputados tenha aprovado por elogiável unanimidade o popular projeto do governo Lula de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, a índole da Casa legislativa é mais próxima daquela que votou majoritariamente na obscena PEC da Blindagem. E novas traquinagens estão previstas já para os próximos dias, tais como a retomada da proposta de anistia a golpistas e até perdão antecipado para o filho do ex, deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que continua nos Estados Unidos conspirando contra o Brasil. Continue lendo “Água não vira vinho”

A isenção

Hoje, 2 de outubro de 2025, é dia de festa e não quero estragar a alegria de ninguém. A aprovação, por unanimidade na Câmara Federal, da isenção do imposto de renda para os salários até R$ 5.000,00 — com um bom desconto para o intervalo até R$ 7.350,00 — é um feito histórico que se deve ao presidente Lula, ao ministro Haddad e (argh) ao mesmo Congresso que quase aprovou a PEC da Bandidagem e ainda não mandou para a lixeira o indecoroso projeto de lei da anistia aos golpistas. Continue lendo “A isenção”

Ao Direito o que é do Direito

O ministro Edson Fachin assumiu a presidência do Supremo Tribunal Federal em meio a enormes expectativas. Com seu estilo discreto, Fachin toma para si a missão de restaurar a autocontenção do Supremo e de reafirmar valores como moderação, transparência, separação de poderes e decisões colegiadas. Tempos de comedimento e austeridade se anunciam. Emblemática a sua recusa de realizar a festa de posse, tradicionalmente financiada por lobby de associações de juízes. Continue lendo “Ao Direito o que é do Direito”

O futuro nas mãos do Senado

O sepultamento unânime da PEC da Blindagem na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, depois de o despautério ter sido aprovado por larga maioria na Câmara, recuperou duas premissas políticas: a força da pressão popular e a magnitude da Casa revisora no sistema bicameral. A voz das ruas, ainda que imbatível, exige mobilização permanente e improvável, o que torna a eleição do Senado ainda mais decisiva. Tão ou mais importante do que a de presidente da República, embora a disputa ao Planalto roube a energia e a atenção dos eleitores. Continue lendo “O futuro nas mãos do Senado”

Baixo astral

As coisas não andam boas para a direita e a extrema direita. O pesadelo começou no domingo, lotando praças e avenidas de todas as capitais e cidades menores contra a agora falecida PEC da Blindagem e o destrambelhado projeto de lei da anistia, que ainda respira, ou estrebucha, em estado terminal.  Continue lendo “Baixo astral”

A sentença que encerra um ciclo

Pela primeira vez, a Justiça brasileira levou ao banco dos réus e condenou generais de quatro estrelas e um ex-presidente da República por tentativa de golpe. Um feito inédito, com profundo significado histórico. Mais do que isso: o Brasil está virando uma página de sua história, que atribuía às Forças Armadas o papel de tutora e guardiã moral da Nação. Continue lendo “A sentença que encerra um ciclo”

Cenas

 O fechamento das estações de metrô na Avenida Paulista, de responsabilidade do governo estadual, e os carros da Guarda Municipal, de responsabilidade da Prefeitura, avançando contra o povo no final da manifestação de domingo em São Paulo, mostram à luz do sol o grau de degradação a que chegaram Tarcínico e Nunes em suas cruzadas ideológicas contra as liberdades democráticas. Continue lendo “Cenas”

Mais que um domingo

A direita radical acostumou-se a encher as avenidas desde 2013. Para isso se vale dos evangélicos e suas lideranças, majoritariamente bolsonaristas e golpistas. Suas manifestações são político-religiosas. Continue lendo “Mais que um domingo”

Sem blindagem e sem anistia

Sem cerimônia para o escárnio, a maior parte das excelências da Câmara dos Deputados não para de agir contra o país. Não bastasse a aprovação da PEC da Blindagem, popularizada como PEC da Bandidagem, insistem na anistia para golpistas, rebatizada como PL da dosimetria, que, em vez de perdão, propõe reduzir as penas daqueles que atentaram contra o Estado. Um engodo travestido de “pacificação” que, além de não acalmar os ânimos do bolsonarismo, que só admite o ex livre da cadeia e elegível, insulta os brasileiros, majoritariamente contrários à anistia, mesmo que limitada aos ignaros úteis do 8 de janeiro. Continue lendo “Sem blindagem e sem anistia”

Novos tempos

Uma vez os subversivos éramos nós, porque queríamos restabelecer a democracia derrubada por um golpe militar. Hoje, os subversivos são eles, os golpistas, por tentarem restabelecer uma ditadura no Brasil após 40 anos da redemocratização.  Continue lendo “Novos tempos”