Sem blindagem e sem anistia

Sem cerimônia para o escárnio, a maior parte das excelências da Câmara dos Deputados não para de agir contra o país. Não bastasse a aprovação da PEC da Blindagem, popularizada como PEC da Bandidagem, insistem na anistia para golpistas, rebatizada como PL da dosimetria, que, em vez de perdão, propõe reduzir as penas daqueles que atentaram contra o Estado. Um engodo travestido de “pacificação” que, além de não acalmar os ânimos do bolsonarismo, que só admite o ex livre da cadeia e elegível, insulta os brasileiros, majoritariamente contrários à anistia, mesmo que limitada aos ignaros úteis do 8 de janeiro. Continue lendo “Sem blindagem e sem anistia”

Novos tempos

Uma vez os subversivos éramos nós, porque queríamos restabelecer a democracia derrubada por um golpe militar. Hoje, os subversivos são eles, os golpistas, por tentarem restabelecer uma ditadura no Brasil após 40 anos da redemocratização.  Continue lendo “Novos tempos”

Puxadinho

Está criado o Primeiro Comando da Câmara federal. O novo PCCf é um puxadinho da organização criminosa que surgiu em São Paulo na primeira década do século. Se a PEC da Blindagem, isto é, da Impunidade, isto é, da Bandidagem, for aprovada também no Senado, aí o puxadinho avança para Primeiro Comando do Congresso.  Continue lendo “Puxadinho”

A política está nos reels e no TikTok

A política contemporânea já não é encenada apenas nos palanques, nos plenários ou nos telejornais. A proliferação dos vídeos curtos, em formato vertical, sinaliza uma transformação estrutural na mediação entre representantes e representados. É uma linguagem concebida para o celular — para ocupar a palma da mão e infiltrar-se na intimidade da nossa rotina. Assistimos ao político no ônibus, na fila do banco, durante as refeições — e, muitas vezes, no exato instante em que ele publica sua mensagem. Continue lendo “A política está nos reels e no TikTok”

Missões Impossíveis

Estou admirado com a capacidade do ministro Alexandre de Moraes de acumular funções. Depois que mandou o Execrável para prisão domiciliar, além de ministro, juiz e relator do processo por golpe de estado virou chefe da agenda de visitas do condenado. 

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Sem virar a página

Se a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e de militares de alta patente tem dimensão histórica em um país que jamais puniu quem atentou contra o Estado, ela está longe de fechar um ciclo na política brasileira. Ao contrário. Não há qualquer indicativo de recuo dos golpistas ou de que o digladio entre os extremos, que há anos emperra o país, vá arrefecer. À direita e à esquerda. Continue lendo “Sem virar a página”

Definições

Não foi pelo conjunto da obra, mas por atos específicos iniciados em meados de 2021 para dar um golpe de Estado, caso fosse derrotado nas eleições de 2022. No conjunto da obra estão pelo menos 300 mil mortes, do total de 700 mil durante a Covid-19, que poderiam ter sido evitadas com as medidas sanitárias que ele bombardeou e com as vacinas que boicotou e tardou a adquirir, de caso pensado.  Continue lendo “Definições”

A síndrome do vôo de galinha

Desde o início dos anos 1980, a economia brasileira padece do mal conhecido como vôo de galinha. Ela bate as asas, levanta vôo, mas logo em seguida perde o fôlego. Essa tem sido a rotina: alternância de surtos de crescimento de curta duração com longos períodos de estagnação, recessão ou de crescimento meramente vegetativo. Continue lendo “A síndrome do vôo de galinha”

Domingo no parque

Não foi no escurinho do cinema. Foi numa tarde de sol radiante e temperatura amena na capital paulista, sem nenhum outro concorrente por perto e com o padrinho político preso em casa, que Tarcínico de Freitas criou coragem e saiu do armário.  Continue lendo “Domingo no parque”

Vexame

O bandeirão dos EUA estendido pelos bolsonaristas na Avenida Paulista no 7 de setembro passou dos limites da sanidade. Até o suposto pastor Malafaia, que bate recordes no  quesito equilíbrio mental, ficou escandalizado.  Continue lendo “Vexame”

A Pátria rejeita anistia

7 de Setembro de 2021. No palanque da Avenida Paulista, o então presidente Jair Bolsonaro exorta a desobediência à Justiça e dispara contra o ministro do STF Alexandre de Moraes: “Só saio [da Presidência] preso, morto ou com vitória” – e “quero dizer aos canalhas que eu nunca serei preso”. Inelegível, em prisão domiciliar, atado a uma tornozeleira eletrônica e prestes a ser condenado por tentativa de golpe, o ex que se divertia com coro dos fiéis – “Imbrochável! Imbrochável!” -, aposta agora em uma anistia abjeta, rejeitada pela maioria do país. E, como biruta ao vento, coloca fichas em alternativas excludentes, até um tanto bizarras. Continue lendo “A Pátria rejeita anistia”

Anistia velhaca

A rinha dos bolsonaristas contra o STF voltou a esquentar com a iminente condenação do Inominável pela Suprema Corte, ante a maçuda barragem de provas e evidências disparada pela artilharia do PGR Paulo Gonet no primeiro dia do julgamento, terça-feira passada. Continue lendo “Anistia velhaca”

Retóricas

Aos olhos do jornalista aposentado que escreve estas mal traçadas, a defesa do Inominável, ex-Imbroxável e, logo mais, Imprestável presidiário, só ficaria satisfeita com a culpa de seu cliente se ele tivesse assinado com firma reconhecida a minuta do golpe e o roteiro de assassinatos do plano Punhal Verde Amarelo.  Continue lendo “Retóricas”

Fim de um ciclo na esquerda latino-americana

Depois de 20 anos termina o poder do Movimento ao Socialismo (MAS) de Evo Morales. Pela primeira vez em duas décadas a esquerda ficará de fora da disputa da presidência da Bolívia, na qual o segundo turno será disputado entre um candidato de centro-direita e outro de direita. A simbologia da derrota transcende as fronteiras da Bolívia. Representa uma espécie de pá de cal em um projeto que galvanizou corações e mentes na América do Sul e levou a esquerda a subir no poder na Venezuela, Equador, Argentina, Bolívia e Brasil, conhecido como bolivarianismo e chamado por seu fundador, Hugo Chàvez, de “socialismo do século XXI”. Continue lendo “Fim de um ciclo na esquerda latino-americana”

Excessos

Se houve excesso no primeiro dia de julgamento do golpe tentado por Jair Messias, foi do defensor de seu então fiel ajudante de ordens, Mauro Cid, aquele que caiu em desgraça junto ao chefe e seus devotos ao delatar a tramóia para salvar a própria pele.  Continue lendo “Excessos”