A Constituição de 1988 diz que todos são iguais perante a lei. Mas o Congresso Nacional, por maioria, pensa diferente. O mandamento supremo vale somente para os comuns mortais, que acreditam em histórias da Carochinha. Para os maiorais, a lei é outra. Continue lendo “Os maiorais”
Melhor para Tarcísio
Auto-anunciado como ungido pelo pai, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) conseguiu agitar a sexta-feira com o lançamento de sua candidatura à Presidência da República. Deixou a direita perplexa, irritou aliados de peso como o pastor Silas Malafaia, derrubou a Bolsa, acelerou o dólar, e até antecipou comemorações entre lulistas. O ato extemporâneo do zero um repôs o nome Bolsonaro no jogo e, ainda que à primeira vista não pareça, fez multiplicar as chances do governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos). Continue lendo “Melhor para Tarcísio”
Água fria
Bem que o Gilmar avisou, mas o Alcolumbre não deu bola. O ministro do STF cantou há algum tempo a pedrinha de que antes do fim do ano ia decidir duas ADPFs que questionavam se a lei do impeachment de 1950 estava valendo, apesar de não estar alinhada com a Constituição de 1988. Continue lendo “Água fria”
Quem diria
Micheque, quem diria, detonou a aliança que o marido e os enteados tricotavam com o arqui-inimigo Ciro Gomes para o governo do Ceará no ano que vem. Acionou os manetes do detonador alegando princípios éticos e morais — vejam só! Continue lendo “Quem diria”
Governabilidade por um fio
Lula deveria refletir sobre os presidentes que entraram em rota de colisão com o Legislativo. A história é clara: governos em minoria que apostaram no confronto se deram mal. Jango em 1964 e os impeachments de Collor e Dilma ilustram como a governabilidade se desmancha quando o Executivo perde capacidade de negociação. Em democracias, correlação de forças se altera por entendimento. Quem esquece isso paga caro. Continue lendo “Governabilidade por um fio”
Esculhambação geral
Foragido desde setembro, dias antes de sua condenação a 16 anos e um mês pela trama golpista, o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) protagonizou uma fuga espetacular, provavelmente terrestre, pela Guiana, e de lá para Miami. Seus passaportes, tanto o comum quanto o diplomático, já estavam cancelados, mas ele não esbarrou em dificuldades para sair do Brasil, tampouco para entrar nos Estados Unidos. Tirou licença-saúde válida até 12 de dezembro, continua recebendo seu salário régio e ainda cobrou ressarcimento de gastos com gasolina. Nada que provoque espanto à esculhambação geral endossada e até estimulada pela Câmara dos Deputados, permissiva ao extremo com os seus fora da lei de estimação.
Bolsonaro e o erro como método
Se uma imagem vale mais do que mil palavras, a que expressa a profunda crise do bolsonarismo é a de Jair Bolsonaro admitindo, de maneira curta e grossa, que violou sua tornozeleira eletrônica: “meti ferro nisso aí”. A cena resume uma sucessão de erros de um líder que age por impulso, sem medir consequências. Paciência estratégica lhe falta, e por isso acumulou derrotas, dilapidando seu próprio capital político. Continue lendo “Bolsonaro e o erro como método”
Velório
Deu um sorrisinho maroto para os fotógrafos e entrou.
Mais uma lei não resolve
Impor penas mais rigorosas, classificar crimes como hediondos e ameaçar puni-los com o “rigor da lei” costumam ser saídas fáceis para questões que nem de longe políticos sabem ou querem solucionar. O projeto Antifacção, originário do governo, modificado pela oposição e aprovado por ampla maioria na Câmara – 370 votos a favor versus 110 contra – é mais uma prova disso. Nem um dos poucos consensos, a ampliação de penas para 30, 40 e até 66 anos de cadeia para líderes de facções, se sustenta em pé. O Brasil prende mal e, mesmo que quisesse, não teria como prender mais ou por mais tempo. Continue lendo “Mais uma lei não resolve”
O xilindró
Vi o vídeo do xilindró da Polícia Federal de Brasília onde o canalha dos canalhas está confinado em prisão preventiva desde a manhã deste sábado. Uma beleza. Pra quem nasceu e passou a juventude no Vale do Ribeira, um luxo. E para quem zombou de 700 mil pessoas mortas pela Covid no Brasil, simulando a asfixia delas no leito de morte, um palácio. Continue lendo “O xilindró”
Angu
Por que será que estão tão quietinhos os nobres deputados de PL, PP, União Brasil, Republicanos e outros partidos menores desse mesmo espectro político, ante o escândalo protagonizado pelo Banco Master, que de master só tinha a fachada na Faria Lima, e o estatal Banco Regional de Brasília, o BRB, bem menor que o tal Master, mas que assim mesmo estava prestes a comprá-lo com títulos podres? Continue lendo “Angu”
As urnas chilenas e a longa ressaca do estallido social
As urnas chilenas expressaram, na eleição deste domingo, o clima de ressaca política e institucional decorrente do estallido social de 2019 — a onda de protestos massivos que sacudiu o país, abalou o sistema político e inaugurou um período de volatilidade. Se em 2021 essa energia levou à eleição de Gabriel Boric, um jovem proveniente dos movimentos estudantis, agora produziu um segundo turno no qual o ultradireitista José Antonio Kast aparece como franco favorito. A soma dos votos da direita e centro-direita supera 70% dos votos válidos. Entender virada tão profunda exige considerar o efeito duradouro daquela explosão social. Continue lendo “As urnas chilenas e a longa ressaca do estallido social”
Pode não ser a Segurança
Segurança Pública dominará o debate e será decisiva nas eleições do ano que vem. Ou não. Pelo menos é o que indica a série histórica de pesquisas sobre as maiores preocupações dos brasileiros. Na última década, o primeiro lugar no ranking das aflições nacionais passou por corrupção, saúde, economia (inflação) e segurança, registrada em 2014 e novamente agora. Nada que não mude de uma hora para outra em um país com tantos males, no qual nenhuma das angústias populares foi solucionada. Continue lendo “Pode não ser a Segurança”
Fuzis
Ora vejam! Muitos fuzis do Comando Vermelho apreendidos na última chacina — ao todo foram quase cem — não vieram de contrabando nas fronteiras, portos e aeroportos. Não vieram do exterior. Caíram do céu? Vieram de onde, homessa? Continue lendo “Fuzis”
Trump e Xi Jinping: a trégua alivia, mas não encerra a tensão
Nas últimas semanas, o ambiente mundial estava turvo, com impacto negativo nas principais bolsas do planeta. O perigo de uma recessão global tornava-se mais visível diante da crise dos chips, que ameaçava afetar toda a cadeia produtiva do setor automobilístico em razão do bloqueio das exportações chinesas. O cenário se desanuviou graças ao encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, realizado na Coreia do Sul. Continue lendo “Trump e Xi Jinping: a trégua alivia, mas não encerra a tensão”

