Insegurança jurídica

A família miliciana agradece, penhorada, a decisão do TSE de manter o voto de censura às revelações, não infundadas, sobre um plano para destituir Nossa Senhora Aparecida do título de Padroeira do Brasil. O TSE não explicou nem identificou o que é ou quem é a tal família miliciana absolvida do suposto crime. O mistério, portanto, continua. 

Mas o ministro do TSE responsável pelo caso alterou seu voto inicial (isso pode, Arnaldo? pode sim, meus caros e parcos leitores) para livrar as famílias não-milicianas do veto. E fê-lo porque qui-lo, proibindo a todos os brasileiros, nascidos e recém nascidos, desta ou das futuras gerações, de atribuir o plano à família Bolsonaro. Em palavras doutas, está tudo liberado, porém se falarem da família mencionada — não a miliciana, mas essa outra, que seria na prática um eufemismo indireto da primeira —, o tempo fecha e os atrevidos podem pegar multa pesada, inquérito, processo e cana sem perdão, dependendo dos humores do juiz de plantão. 

O resultado da votação no TSE foi de 4 x 3 — melhor, para nós, do que os 7 x 1 que tomamos naquela Copa maldita em território nacional. Isto porque, tendo dado quase empate, cabe recurso contra a decisão. A não ser que os querelantes resolvam deixar essa coisa pra lá. Mas eu rogo, por Nossa Senhora Aparecida e todas as santas e santos da Igreja Católica Apostólica Romana, que o MPE, que vem a ser o Ministério Público Eleitoral, não deixe passar batido.

Afinal, é de grande importância que a corte decida de uma vez por todas quem é, com todas as letras, essa tal de família miliciana, que não consta nos cartórios de registros de mortes e nascimentos do país, mas já que foi o ministro relator da própria corte que assumiu sua existência implícita é preciso, pelo amor de Deus e da Justiça, que se explicite o implícito, pois não se pode viver desse jeito, sem saber quem, por fim, matou a Odete Roitman na famosa e eletrizante novela das 9. 

Não sei se fui claro, mas como o juiz relator do caso na mais alta corte eleitoral do país não foi, julgo-me no direito de também não sê-lo. E aguardo, ansioso, sua revelação. E que venha ao menos antes desta eleição, para dirigir-me mais tranquilo e seguro com minha família, que não é miliciana e muito menos bolsominiana, à cabine de votação. 

Nelson Merlin é jornalista aposentado e atônito diante de certos fluxos intestinais ocorridos durante esta campanha eleitoral. 

1º/10/2026     

Um comentário para “Insegurança jurídica”

  1. Pois é Merlin, chegamos ao ao topo das imundícies e do barbarismo eleitoral, sem que alguns mistérios explícitos venham à tona. Nas extensões regionais da Justiça Eleitoral também aflora tudo isso mais o besteirol aliado. Em Rondônia, um afoito pecuarista admirador da milícia insistia em se denominar Bruno Bolsonaro – candidato ao Senado. Seu sobrenome é Scheid e teve que ser mantido assim, pois, ao menos no sangue não pertence ao clã.

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