Boca Mole x Miolo Mole!

Nem em briga de torcidas tem tanta baixaria quanto no embate entre o ministro decano do STF, Gilmar Mendes, e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema.

Pra cutucar a onça, ou as onças, com vara curta (não estou insinuando nada, tá?), Zema divulgou nas redes sociais um vídeo mostrando os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli como fantoches, em clara referência ao envolvimento deles no escândalo do Banco Master.

Gilmar Mendes ficou puto e retribuiu a gracinha pedindo ao ministro Alexandre de Moraes que o mineiro seja investigado no inquérito das fake news.

Aí Zema dá o troco e mostra sua cara em publicação no XTwitter, vestindo uma camiseta com os dizeres: “Não falta dinheiro, sobra ladrão”.

(Ói quem fala! Logo ele que é cuecalça com a Bolsonarada enriquecida pelas rachadinhas e por outras falcatruas. Logo ele que aumentou seu próprio salário em 300%!!!. Sobre isso diz que todo seu provento como governador é distribuído para instituições de caridade. Na minha terra isso se chama acenar com o chapéu dos outros. Afinal quem paga seu salário é o povo. Quer dar que dê o que é seu, ora!)

Cantando de galo, diz que está sendo perseguido pelo STF “por conta de uma sátira, de uma ironia contra os intocáveis”.

Só que, para o ministro, essa publicação ultrapassou todos os limites da liberdade de expressão, e Zema “vilipendia não apenas a honra e a imagem do Supremo Tribunal Federal, como também da minha própria pessoa”. E vai mais longe dizendo que não se pode brincar com coisas sérias, com as instituições: “Imagine que começamos a fazer boneco do Zema como homossexual. Será que não é ofensivo? Se fizermos ele roubando dinheiro do Estado, será que não é ofensivo?”

E quando a coisa desanda sempre tem alguém pra fazer empelotar ainda mais o angu. Quem sabe sentindo-se ofendido por tabela, o deputado federal (PL, claro) Nikolas Ferreira vai lá e dá seu pitaco (eu disse pitaco) na página do Romeu Zema: “Ué! Não vão chamar isso de homofobia, não?!”

Até o sotaque caipira do caipira, digo do governador foi mencionado pelo juiz, que disse que Zema fala em “dialeto”. Ele, por sua vez, se defende meio que soletrando, que representa bra-si-lei-ros sim-ples, que é diferente do “português esnobe de Brasília”.

E entre tapas e nenhum beijo a semana dos dois foi muito parecida com a de moleques na saída da escola:
– Você é um fdp.
– Fdp é sua mãe.
– É a sua, que é mais perua, que dá pra todo mundo na rua!

A diferença é que esses moleques crescem e muitos deixam as picuinhas no passado.
Já alguns…!

Esta crônica foi originalmente publicada em O Boletim, em 24/4/2026. 

 

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