Tem gente que fala mal do Trump. Eu também falo. Mas desta vez tenho que tirar o chapéu. Ele serviu filé de Aberdeen Angus e tutu de feijão preto com rodelas de laranja, entre outras iguarias, no almoço para o presidente brasileiro na Casa Branca.
O filé não tem nada de mais. Os EUA importam às toneladas da Argentina, do Uruguai e do Brasil. A preciosidade está no tutu de feijão. Algo muito especial, já que não tem feijão preto por lá. Nem tem na vizinha América hispânica, onde chamam a raridade de porotos negros. Os gringos devem ter buscado num supermercado do Brasil e mandado por mala diplomática direto para a cozinha da Casa Branca, acompanhado da melhor receita pernambucana.
Imagino os bozolóides arrancando os cabelos das partes íntimas. Ah, sim, arranquem mais uns: a sobremesa foi sorvete de creme, que os gringos sabem que os brasileiros adoram.
E outros mais: Trump mandou estender tapete vermelho para Lula descer do automóvel oficial e transitar pela calçada sobre o mimo só reservado aos mais importantes chefes de Estado e estrelas de Hollywood.
E mais uns tantos ainda: a conversa era para durar uma hora, almoço incluído. Durou três! No contexto americano, isto é uma prova inquestionável do sucesso da visita.
Trump chamou Lula de “muito dinâmico presidente brasileiro”. Os gringos adoram gente despachada. E ele não fez a reverência quando o atual inquilino da Papudinha, ora em domiciliar, esteve por lá. Disto podemos deduzir que Trump não gosta de tietes e lambe-botas. Gosta mesmo é de gente que o encara de peito aberto. A esses ele respeita. Tem homem que gosta de apanhar.
Para finalizar, na hora das fotografias protocolares, Lula deu as ordens: falou para Trump que queria uma foto com ele sorrindo para as câmeras. Trump não se fez de rogado, como os bozolóides podem apreciar na foto oficial de encerramento da visita.
Não é que o grandalhão tem até um sorriso bonito?
Nelson Merlin é jornalista aposentado e justo.
8/5/2026
