Leio, como toda a torcida do Curíntia e do Framengo, que mais um figurão da extrema direita caiu nas malhas da Polícia Federal. Não é um aspone qualquer, mas um senador da República que, na sua parte mais podre, teima em ser republiqueta de bananas, onde tudo se resolve com um tapinha nas costas e uma graninha no bolso. Até que a PF e o Judiciário entram de sola para acabar com a farsa.
E farsa tem demais. Li que a tempestade sacode forte o aviãozinho do 01 do condenado, do qual queria ser vice a vítima de hoje da “perseguição” policial-judicial. Não sei por quê, pois o tal 01 tem pau de galinheiro mais sujo que o do suposto pretendente. Este, ao que se sabe, não cometeu peculato contra o erário público inventando assalariados fantasmas em seu gabinete, nem fortuna com bombons de chocolate.
Preferiu outros bombons, aliás. Um deles os perdigueiros da PF pegaram e foi o que deu motivo à operação de hoje. Não é que o senador e ex-chefe da Casa Civil do condenado levou para casa R$ 18 milhões em propina pelos inestimáveis serviços prestados ao dono do Master?
O inestimável também tem preço. No entanto, este é fichinha perto dos mais de R$ 100 milhões em imóveis comprados, a maior parte com dinheiro vivo, pela famiglia à qual pertence o alegre candidato-a-candidato à presidência da República pela extrema direita.
Daí porque chamo de farsa a preocupação dos amantes da candidatura do 01 em comparação com as falcatruas, agora provadas, do seu aliado. Verdade que a turma do 01 já havia descartado o sacripanta, em proveito da ex-ministra da Agricultura do condenado, responsável direta (ela) pelo maior derrame de agrotóxicos maléficos e/ou cancerígenos já ocorrido na história da agricultura brasileira. Tudo que na Europa e outras partes do mundo foi proibido como tóxico e letal demais ela liberou aqui.
Particularmente, ante os horrores praticados por ambos, eu preferia mil vezes que ele continuasse com o “perseguido” como seu vice. Mesmo que isto não seja nenhuma garantia de que não vá chamar a megera para sua ministra, caso eleito.
Mas, voltando à vaca fria, leio também que a defesa do senador piauiense considera a investigação um ensaio de loucura, já que o cliente tem reputação ilibada, até prova em contrário, e colabora com tudo. Aprendo com isso, aos 80 bem vividos, que o cinismo não tem limites nesta vida.
Por fim, registre-se que o pré-candidato tem tido a pachorra de dizer, em sua defesa, que sua campanha olha com carinho o combate sem tréguas à corrupção.
É demais!
Nelson Merlin é jornalista aposentado e ainda chocado com a naturalidade com que se cometem e se justificam as piores falcatruas por aqui.
7/5/2026
