Trama familiar

Não sei por que cargas d’água fui envolvido por insidiosa trama familiar. O alvo era um acessório de uso profissional que me era caro. A peça, é verdade, tinha lá um tempinho de uso, hã… duas décadas. Tratava-se de uma bolsa de lona verde, com duas divisões, e, costurados fora, dois bolsos. Como as que se vendem em lojas de artigos para caça e pesca.

Esse tipo de bolsa foi-me muito útil nos memoráveis tempos em que o Jornal da Tarde nos mandava para pontos recônditos do País. Varávamos mata, nos sujávamos em lamaçais, sem falar nos restos queimados dos grandes incêndios. Pendurada no braço, a dita.

Na área urbana também vinha bem, por sua praticidade. A última que comprei foi ficando velha, desbotada, com uma carinha meio ruim, mas continuava íntegra. A família achava um despropósito eu não troca-la por uma nova, de couro, mais apresentável. Ora, eu reagia. Por que, se não vou a uma festa e esta ainda é tão boa?

Então, mudamos de casa para apartamento, o que ensejou a troca de muitos itens velhos, antigos, por novos, modernizados. No dia seguinte à mudança, viajaria para um frila em Goiânia. Onde está minha bolsa? Não achei. Nunca mais achei. Bem, mudanças são assim mesmo, coisas se perdem.

Por fim, a verdade surgiu, graças à confissão de uma cúmplice. Enquanto eu estava fora, minha dedicada e saudosa Haydée tomou uma decisão, apoiada por Mônica, nossa filha, e Dena, minha cunhada. Jogou a bolsa no lixo!

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