Já se sabe que a fuga custou o equivalente a R$ 800 mil. Algo como US$ 150 mil. Somente a parte aérea — o vôo de Puerto Iguazú-ARG a Miami-EUA, com escala para reabastecimento em Guayaquil-EQU, fazendo um L maiúsculo com uma perna em direção ao Pacífico e outra rumo ao norte, para evitar o espaço aéreo brasileiro.
Difícil ter esse dinheiro disponível numa gaveta de escritório. Mas do fugitivo pode-se esperar muito dinheiro vivo escondido pelos cantos da casa. No entanto, a imprensa dos EUA já sabe quem contratou o jatinho — um aspone americano de nome Jason Miller, muito chegado ao presidente Trump e que estava ao lado de Bananinha na casa deste no Texas, assistindo pela televisão, no domingo, a contagem dos votos no Brasil. Na mesma noite desencantada ele já teria iniciado as providências. A fuga estava cantada pelo Bananinha dias antes do segundo turno, caso acontecesse o pior.
Em minha versão não comprovada, a fuga por terra até Foz do Iguaçu foi numa van da embaixada dos EUA que partiu de Brasília com o pé embaixo, na tarde de segunda-feira. A família almoçou na embaixada e em seguida a van partiu para Foz. Foram 20 horas em disparada por quatro rodovias federais e cinco estaduais, para vencer os 1.600 quilômetros de distância, considerando que a van deve ter feito algumas paradas para os passageiros comparecerem ao toalete. Enquanto isso, o tal Miller e um tal de Caputo, aspone de Milei, despachavam o jatinho de Buenos Aires para Puerto Iguazú, onde desceu na manhã de terça e ficou esperando a comitiva. Algo deu errado com documentos e pagamentos e o jatinho só partiu por volta das 11 da noite para fazer o L vitorioso.
Continuando com minha versão não comprovada, o dinheiro para pagar o passeio saiu do fundo Heavengate (Portão do Paraíso, em tradução livre!), controlado pelo advogado do Bananinha no Texas e abastecido coisa de um ano atrás pelo Dani Vorcaro, nome que dispensa apresentações, com uma polpuda remessa de cerca de Rr$ 70 milhões, a pretexto de bancar um filme publicitário do patriarca do clã. O respectivo processo corre no STF por envolver o senador ora foragido num subúrbio de Miami.
O senador, que Trump mandou acolher com visto humanitário imediato (!), responde nesse processo por lavagem de dinheiro e evasão de divisas — com indícios tão fortes de culpabilidade que Xandão e PF, não sem atraso, solicitaram-lhe entregar os passaportes, por receio de fuga do território nacional. Com certeza, não quiseram interferir no processo eleitoral, agindo somente após a apuração do segundo turno. Tarde demais.
O mesmo senador responde a outro processo no STF, por sua conta conjunta com o advogado amigo do peito Willer Tomaz no banco Santander, onde o amigão depositava ganhos astronômicos em bets e o senador é investigado por retirar cerca de R$ 130 milhões dessa conta para si. É tão evidente sua cumplicidade no escândalo que também foi por esse motivo intimado a entregar seus passaportes.
Ele também responde na Justiça do Rio de Janeiro por peculato e lavagem de dinheiro obtido de salários de funcionários regulares e de funcionários fantasmas durante 12 anos em seu gabinete na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, antes de se eleger senador. O processo está parado por ordem do STF, mas deve prosseguir a partir de fevereiro, quando termina seu mandato. Não se sabe ao certo quanto rendeu o esquema de rachadinha, mas teria ultrapassado R$ 1 milhão brutos, sem atualização monetária.
São três processos em fase de investigação por roubalheira pesada e continuada. Os quase 60 milhões de eleitores que votaram nele sabiam disso. O que fazer com eles?
Nelson Merlin é jornalista aposentado e perguntadeiro que recomenda a contratação de uma bancada de psiquiatras forenses em nível nacional para explicar o fenômeno.
31/10/2026
