Quem perdeu, quem ganhou

Está bem, a fila do osso foi culpa do Lula e a Covid também. E quem manda luzinha para os ETs? Ele também. E quem reza para pneus? Ora, é Lula de novo. Isso todo mundo já sabe. Quem duvidar das afirmações, é só perguntar aos desmiolados que vão às manifestações político-evangélicas na Avenida Paulista. Todos, 50% do eleitorado, vão dizer o que escrevi nesta abertura. 

Mas a pergunta que não quer calar, no meio de tantas certezas, é quem ganhou o telequete da Band, domingo à noite. 

Para mim, foi a Adriana Araújo, a jornalista que comandou o ringue e diariamente apresenta os telejornais da TV Bandeirantes. 

Eita prenda macho — como se diz aqui no Rio Grande. Eita mulher da peste — como se diz lá no Nordeste. 

Foi ela que mandou a platéia do miliciano calar a boca — pois de repente estavam no maior berreiro — e, ato contínuo, mandou o candidato parar de rondar como encosto de macumba o candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva. 

Mas foi tarde demais. O extremista bola murcha e sem programa já vinha quase esbarrando nas costas de seu adversário desde o primeiro minuto. Teve um momento em que parecia querer avançar sobre a nuca do presidente. Nunca vi aqui baixaria igual num debate político na tevê. Só não foi pior que Donald Trump passando continuamente pela frente de Hilary Clinton no debate de 2016. 

Adriana e seu colega de bancada tinham que ter parado a galhofa naquele instante. Mas como nenhum se manifestou, o anormal seguiu em frente. Só parou quando Adriana deu o chega pra lá, já no final do espetáculo. 

Mas teve outro vencedor. Foi Lula. Eita cabra da peste à beira dos 81! Apesar do encosto, Lula manteve a elegância, foi firme nas perguntas e respostas, falou dos programas e das conquistas de seu governo — ao que o outro a tudo respondia com deboches e a peçonha dos ignorantes que se acham gênios num país de otários. 

O baixo nível do herdeiro do filhote da ditadura de 64 não passou despercebido. Seus próprios marqueteiros disseram ontem que vão mudar o figurino para o debate de sexta-feira na Globo. Afinal, não fica bem um rastaquera daqueles se apresentando na maior emissora de tevê do país. É necessário compostura e ao menos algum conteúdo. Espera-se o milagre de trazerem um candidato a presidente e não um moleque da quinta série travestido de senador. 

Pelo sim, pelo não, sugiro, como prevenção, que todos os automóveis da comitiva dele sejam revistados ao darem entrada no estacionamento. Na Band, cães farejadores cercaram um dos carros, latindo até serem recolhidos pelos policiais. 

Adivinhe de quem era o carro? Inexplicavelmente, o episódio não teve consequências, ao menos que eu saiba. O Gate da polícia de SP, órgão especializado em explosivos, havia recebido uma denúncia vinda do Senado Federal de que o veículo do senador continha uma bomba pronta para explodir. 

Os policiais abriram o carro e… não acharam nada. A culpa, claro, foi dos cachorros. O chefe da operação disse que eles teriam se confundido com o cheiro de algum produto químico dentro do carro. Se não era um explosivo, o que seria? Algum cloridrato? Algum pó de alguma coisa? Mistério! Melhor não mexer com isso… e nada mais foi feito. Um exame técnico teria identificado facilmente restos do pó branco que não é açúcar. Se ali dentro tivesse sido usado. 

Nem preciso dizer o nome do proprietário ou usuário. O policial que comandou a operação disse-o e é público. Devem estar puxando as orelhas dele. Só preciso dizer que no Rio de Janeiro a milícia não admite concorrência. O pau pode comer no estacionamento da TV Globo… 

Nelson Merlin é jornalista aposentado e indignado com as mentiras descaradas do candidato miliciano. 

 20/10/2026

Em tempo: presos com condenação definitiva não podem votar;  somente os presos sem condenação transitada em julgado, os chamados provisórios, porque estes ainda não perderam seus direitos políticos. O senador da milícia, que é advogado, tinha obrigação de saber disso. Ou se sabia, mentiu (mais uma) ao dizer que Lula teve o voto de 80% dos presidiários de todo o país em 2022. Ora, o Censo de 2022 do IBGE contou 832.295 pessoas encarceradas até aquele ano. Os condenados definitivos eram 621.618. Esses não podiam votar. Os provisórios somavam 210.687 presos. Esses podiam. E isso dá 25,3% do total. Se dermos de barato que TODOS votaram em Lula, o que é inverossímil, falar em 80% é coisa de mal intencionado ou que não sabe fazer conta. O Brasil não pode ter na cadeira presidencial nem um nem outro. Muito menos um defensor de miliciano, pronto a advogar em favor de assassinos da pior espécie, como o animal que matou a sangue frio a menina Ana Clara, de 5 anos de idade. É esse tipo de gente que metade do eleitorado quer pôr na Presidência para nos defender do… banditismo! 

     

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