Minha pitonisa de plantão me disse outra hora no ouvido que a derrubada do veto presidencial ao projeto dito da dosimetria não vai dar em nada. Se o Congresso bolsonarista humilhou Lula e deu gargalhadas, quem vai rir por último é o presidente.
Ela explica didaticamente. Como o projeto foi vetado em bloco por Lula, o veto também só poderia ser derrubado em bloco. Total e integralmente.
Não foi o que o ex/instalador de som automotivo fez. Para não dar o favor de redução de pena a estuprador, homicida, pedófilo e sequestrador, por exemplo, mas só ao genocida e seus comparsas golpistas, o presidente do Senado fatiou o veto e deixou fora da votação o que não interessava.
Não pode. Só poderia se o presidente da República vetasse parcialmente o projeto. Mas como o veto foi total, o ex-instalador de radiofones pisou no tomate.
Foi um erro fatal.
Agora, quando alguém arguir a inconstitucionalidade da votação ao STF, este irá enterrar de uma vez por todas a sonhada pretensão. Pergunte se já tem fila no guichê da PGR para dar entrada no veto do veto do veto?
E mais. O Senado não pode desfazer a mancada (para não dizer outra coisa) porque já votou (já fez a caca) e o estrume (para não dizer outra coisa) está no meio da sala.
E mais ainda. Quem fez a manobra para derrubar o veto está sujeito a processo por prevaricação que, inevitavelmente, resultará num processo de impeachment.
Além de perder o cargo e o mandato, pega até um ano de cadeia mais multa. Vai feder para o lado do ex-instalador de sei lá o que, cuja profissão jamais poderia ter abandonado para nos atentar com seus arroubos arrogantes de baixo clero despeitado no Senado da República.
Ele não era nada, e vai voltar a ser ninguém.
(Para ler ao som de fundo de “Vingança”, do imortal Lupicínio Rodrigues)
Nelson Merlin é jornalista aposentado, mas que não perde a esperança.
2/5/2026
