O Bolsa Família dos EUA é mais de uma dezena de vezes maior que o brasileiro e assim mesmo os bozolóides só falam mal do nosso. Lá, o governo paga entre US$ 280 e US$ 1.800 dólares mensais (R$ 9 mil reais ao câmbio de hoje) à população de baixa renda para se manter. O programa existe há décadas e nenhum governo republicano mexe nele para piorar ou melhorar. Está bom assim e em time que está ganhando não se mexe.
Lá também tem o auxílio aluguel, em que a população de baixa renda paga 20%, até mesmo 10%, do valor e o resto é bancado pelo governo. Os proprietários, os investidores, as construtoras, as imobiliárias batem palmas e pedem bis. O dinheiro não entra na conta do inquilino, mas direto nas contas de quem de direito — a parte maior para o proprietário e a menor para pagar a comissão da imobiliária. Para o mercado de aluguéis e da construção civil, é uma garantia de estabilidade e prosperidade, sem calotes. E o governo fatura uma boa grana em novos negócios.
O cartão do Bolsa Família made in USA não pode ser usado para jogar em bets. Só é aceito para pagar por alimentos em qualquer supermercado do país. Compra, passa o cartão e pronto. Bebidas alcoólicas e cigarros, só do próprio bolso.
É tudo muito organizado, como aqui, aliás. A diferença é que lá ninguém chama de vagabundo quem tem o cartão. Pelo contrário. Quem tem o cartão é visto como um cidadão que contribui para o consumo e o desempenho da economia nacional. Como se sabe, nenhuma economia, mesmo as socialistas e comunistas, aguenta nas pernas se não houver consumo.
O bozolóide deveria ir no Google para se informar, em vez de dar ouvidos aos ignorantes que vão às redes sociais, aos palanques eleitorais, às tribunas legislativas e às conferências empresariais falar besteira.
Nosso problema é que bozolóide só acredita no que diz a famiglia de bozós que quer mandar e desmandar no país por todos os séculos dos séculos, amém.
Falo dos EUA porque se trata da maior economia capitalista do planeta. Mas o programa existe também na Europa, na Ásia, na África.
Para quem não sabe, SNAP é o nome oficial do programa nos EUA (Supplemental Nutrition Assistance Program), que as pessoas chamam de food stamps, expressão usada para designar vale-refeição, embora seja muito mais do que isso.
Para cada dólar que o governo americano investe no SNAP, o retorno econômico aos cofres públicos é de US$ 1,70. O retorno econômico do nosso Bolsa Família é até maior, de 78%. Para cada real, voltam R$ 1,78. Nos dois países, a lógica é a mesma: o benefício faz girar a economia e rende quase o dobro em impostos sobre o consumo.
E aqui aparece outra diferença entre os dois países. Lá os programas sociais são vistos como aceleradores da economia, além da ajuda a quem precisa. Aqui, cumprem o mesmo papel, mas são vistos pelas elites e seus representantes, legislativos ou não, como abusos populistas. Lá, são motores de crescimento. Aqui são alvos da crueldade colonialista: pobre é pobre porque gosta de ser pobre. E por isso nada merece.
É o fim da picada.
Nelson Merlin é jornalista aposentado e até hoje escandalizado com a desfaçatez das elites brasileiras.
23/5/20926
