O mesmo Senado que aprovou Zanin reprova Messias. Eu pensava que biruta de aeroporto só desse em… aeroporto. Os compadres da extrema direita, Alcolumbre à frente, fizeram da sabatina uma palhaçada política de nível ginasiano, coisa de adolescentes hoje na quinta série.
A diversão em pauta era dar uma rasteira no presidente da República. Na CCJ do Senado o buraco era mais em cima e não conseguiram. No plenário, o buraco era no rés do chão e o esgoto estava aberto a todos. Caíram de cabeça.
A reação do ex-instalador de rádio de automóvel ao dar o resultado não deixa dúvidas sobre sua motivação. Parecia estar comemorando uma copa do mundo particular. Saiu todo pomposo, carrancudo e abraçando quem encontrasse pelo caminho. E o primeiro que abraçou ao levantar da cadeira, num rompante de diva de Hollywood, foi o senador Jacques Wagner, em quem se agarrou por longos segundos.
Acho que depois dessa, a vítima do abraço vai ter que se explicar…
Pode-se ler no episódio que tudo se passou por vingança. O balofo senador — que ontem pareceu-me mais enxuto e empertigado — teria dado o troco à recusa de Lula em indicar Rodrigo Pacheco, o preferido do ex-instalador. Ficou mordido.
Mas acho que teve mais do que isso. O ex-instalador declarou ontem oficialmente seu voto na eleição de outubro. Nenhuma surpresa. Seu candidato é o mesmo das rachadinhas, o mesmo das milícias cariocas, o mesmo dos chocolates 24 quilates, o mesmo da mansão de 16 mi que ele pagou com empréstimo de 6 mi do BRB/Master. O inverso, Master/BRB, também serve. Dessa inversão podem ter saído os 10 mi que faltam para fechar a conta.
As cartas estão na mesa. Minha pitonisa diz que essa campanha será a mais fake de todas. Cabe ao candidato ou candidata do governo, qualquer que seja, montar numa vassourinha 2.0 hybrid, em versão chinesa ressuscitada do falecido Jânio Quadros, e varrer o que foi escondido debaixo do tapete.
Que tal começar pelo Amapá?
Nelson Merlin é jornalista aposentado mas não desalentado.
30/4/2026
