O destino bate à porta

Agora que o destino do ex-imbroxável clareou, no sentido de que as portas da Papuda já se abrem para recebê-lo em suas soturnas instalações, cabem algumas observações. 

A primeira delas é que a mentira sempre teve perna curta e mesmo a insistência em fazer propaganda política à moda nazifascista não enterrou o dito popular brasileiro. O ministro nazista da propaganda mandava repetir milhões de vezes a mesma mentira porque assim acabaria se convertendo em verdade verdadeira. A delação do ajudante de ordens do ex-imbroxável vai deitar uma pá de cal nessa crença. 

Não que os crédulos vão deixar de acreditar no chefe, mas as crenças perderão totalmente a validade perante o público geral e esvaziar-se-ão como um balão furado. O rei estará nu e não vai adiantar dizer que sua camisola é verde e amarela. 

A segunda observação é que o ex-imbroxável ficará imprestável como cabo eleitoral. Somente o gado mais restrito e turrão pode continuar achando que o chefe atrás das grades será capaz de fazer prefeitos país afora ano que vem. Todos os candidatos — exceto os suicidas, se houver — vão fugir dele como o diabo da cruz. 

Os chefes do narcotráfico conseguem comandar da cadeia o seu gado externo. Mas esse comando é movido a centenas de milhões de dólares em redes mundiais de tráfico e execuções a tiros no meio da rua. Não é movido a mentira e arminha de fantasia com os dedos das mãos. Eles são mais sérios! 

A terceira observação é que quando sair da cadeia o ex-imbroxável estará tão estropiado moralmente que nem o drama de martírio e perseguição, que já começa a ser ensaiado, terá potencial para colar nos corações e mentes do gado restante. A boiada terá passado de vez e naquelas alturas estará ruminando em outras freguesias — talvez ao redor de figuras como Damares Alves, o tal Nikolas, o tal Trovão e outros menos votados. 

Deixo de fora, propositadamente, os rebentos da famiglia, pois estarão todos devidamente queimados como fósforos riscados. 

Uma quarta e última observação é que Deus não ajuda a quem tarde madruga. O ex-casal presidencial ensaia pôr nas costas do Criador a glória e na dos juízes o infortúnio, como se Ele abençoasse peculato, contrabando e venda ilegal de joias, planejamento e incitação a golpe de estado, tentativa de melar as eleições com mentiras sobre as urnas eletrônicas, sonegação de vacinas, recomendação de remédios ineficazes que renderam milhões a laboratórios que (com uma única exceção) ficaram calados sobre a ineficácia e os graves perigos à saúde de quem os ingeria sem comprovação científica dos efeitos propalados. 

Também não ajuda a quem chora lágrimas de crocodilo, como a ex-primeira-dama anda fazendo em cultos evangélicos. E como o ex-imbroxável vem dizendo em entrevistas, que só era golpista da boca pra fora e nunca agiu contra a democracia. Só falta chorar. 

Deus ajuda somente a quem cedo madruga e toma consciência de seus erros e crimes antes que terceiros o obriguem a fazê-lo. Se o casal tiver a hombridade de assumir sua responsabilidade perante os fatos, sem dúvida Deus os ajudará a cumprir suas penas com resignação no recesso de suas grades e sem reclamações. 

Não mais do que isso. 

Nelson Merlin é jornalista aposentado e confiante. 

14/9/2023

 

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